quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Brasil tem mais de 3.000 pistas de pouso de terra

03/08/2011 - IG SP, Marina Gazzoni

Associação de aviação executiva mapeou cerca de 4.000 aeródromos no País; setor reclama de falta de espaço em aeroportos

As companhias de aviação executiva engrossam o coro contra as deficiências da infraestrutura aeroportuária brasileira e pedem por reformas mais abrangentes. Além dos 66 aeroportos administrados pela Infraero, elas utilizam cerca de 4.000 aeródromos no País, áreas destinadas a pousos e decolagens. Apenas 700 deles têm pista pavimentada. A maior parte dos pousos é feito na terra.

As informações foram divulgadas pela Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), em um estudo sobre aviação executiva no Brasil. Para a entidade, a infraestrutura deficiente trava a expansão do setor e pode prejudicar o crescimento do País.

A razão disso é que 80% das viagens feitas em jatos executivos são realizadas para tomadas de decisão de investimentos, segundo o Ricardo Nogueira, vice-presidente da Abag. “As pessoas não investem em siderurgia, agronegócio ou qualquer indústria sem conhecer pessoalmente o lugar”, diz.

Como as companhias aéreas atendem apenas 2% dos municípios brasileiros, os executivos costumam utilizar jatos executivos para chegar a cidades menores. O Brasil tem 5.565 municípios, mas apenas 128 deles foram atendidos pelas companhias aéreas em 2010. O aeroporto de Congonhas, por exemplo, liga 29 cidades à capital paulista por meio de voos regulares, mas outras 906 receberam voos de jatos executivos que partiram do aeroporto no ano passado.

Com a saturação dos principais aeroportos do País, as pressões para que a aviação executiva ceda espaço para as companhias aéreas ganharam força. O motivo é que um voo fretado ou particular tem, em média, quatro passageiros. O mesmo slot (horário de pouso ou decolagem) poderia ser utilizado para um voo de uma companhia aérea com cerca de 200 assentos disponíveis.

“Há uma briga por slots nos aeroportos e a aviação executiva tem perdido espaço. Queremos entrar no planejamento do governo e mostrar que cumprimos um papel que as companhias aéreas não cumprem. E que é relevante para o investimento do País”, diz Nogueira.

A entidade está participando das discussões com o governo sobre as concessões dos aeroportos para a iniciativa privada e quer pleitear mais espaço nos grandes aeroportos.

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