segunda-feira, 14 de maio de 2012

Rio-São Paulo em menos tempo e com menos ruído

06/05/2012 - O Globo

Tecnologia reduz instabilidade de aviões
Rafaella Javoski
rafaella.javoski.rpa@oglobo.com.br 

A ponte aérea Rio-São Paulo vai ficar mais silenciosa e durar menos tempo. Na tarde de ontem, a Gol realizou um voo para apresentar um procedimento durante o pouso no Aeroporto Santos Dumont chamado de Performance de Navegação Requerida, que deve agilizar a viagem entre as duas cidades.

A tecnologia, presente em 23 aeronaves da companhia, otimiza o percurso, criando um túnel virtual a partir do Campo dos Afonsos, na Zona Oeste. Com a mudança, o teto para pouso cai de 1.500 para 300 pés e reduz a viagem em até três minutos. Os ganhos incluem ainda economia de combustível e redução na emissão de gases poluentes. Atualmente, as rotas para chegada ao Santos Dumont sofrem pequenas variações, o que causa aumento do tempo de viagem e maior utilização das turbinas, provocando alto ruído.

Esta é a primeira vez que o procedimento é adotado no Brasil — Austrália e Estados Unidos já o utilizam. O vice-presidente técnico da Gol, Adalberto Bogsan, afirmou que o recurso aumenta a possibilidade de cumprimento dos horários de voos. Além disso, a diminuição de custos pode beneficiar passageiros.

— É possível que haja redução no preço das passagens, mas isso depende do mercado — disse Bogsan.

A previsão é que a Gol comece a realizar voos com o equipamento até julho. A homologação definitiva da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deve ser concedida em 90 dias.

Para adotar o procedimento, a companhia aérea passou por cinco etapas de exigências, de acordo com diretor de operações de aeronaves da Anac, Carlos Eduardo Pellegrino.

— A organização precisa certificar o aeroporto, pilotos e aeronaves — esclareceu.

Atualmente, a Gol tem três pilotos treinados para lidar com a nova tecnologia. Um deles é o comandante Pedro Paulo Corano, responsável pelo voo de ontem. Ele comentou que cada um passou por aulas teóricas e simulações, além de voos de testes.

Outra empresa aérea que pretende adotar o sistema é a Azul. De acordo com o diretor de operações de voo da companhia, Ivan Carvalho, as aeronaves já estão com o equipamento exigido.

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