quarta-feira, 12 de maio de 2010

Movimento nos aeroportos sobe 23,48%


12/5/2010
O Estado de S.Paulo

A demanda do transporte aéreo doméstico no Brasil cresceu 23,48% em abril, em relação ao mesmo mês do ano passado. O dado divulgado ontem pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a princípio positivo para o setor de aviação civil, já preocupa a agência e especialistas no setor.
 
Durante seminário sobre infraestrutura no Rio, a presidente da Anac, Solange Vieira, reconheceu que os aeroportos não estão preparados para atender a demanda. A medida adotada atualmente em Congonhas e Guarulhos, onde os pousos e decolagens são restritos a 30 e 45 por hora, respectivamente, pode ser estendida a outros aeroportos brasileiros.
 
"Desde o ano passado, o crescimento (da demanda) já saiu de São Paulo e está centrado no resto do País, mesmo porque Congonhas e Guarulhos estão com limitações no número de voos", disse SolangeSegundo ela, a limitação visa a diminuir os atrasos e reduzir a superlotação nos saguões, agravados por um crescimento médio da demanda doméstica acima dos 20% a partir de julho de 2009.
 
Falta seriedade. A alternativa, no entanto, é considerada ineficiente, na opinião do consultor em aviação Paulo Sampaio. "Em vez de se falar em investimento, fala-se em restrições. Nenhum setor do governo está tratando do assunto com seriedade. Dessa forma, o problema não está sendo resolvido, mas transferido para outros aeroportos", afirmou.
 
Para o especialista, as obras previstas nos aeroportos até 2014 não ficarão prontas para a Copa. "Estou muito preocupado, porque até agora só temos promessas, não temos as obras. Acho muito difícil que estejamos preparados para receber o aumento de demanda prevista."
 
Paulo Sampaio diz que as eleições presidenciais deste ano fazem com que haja incertezas sobre as obras. A opinião é compartilhada por Elton Fernandes, coordenador de uma pesquisa sobre infraestrutura aeroportuária no Brasil, realizada pela UFRJ em parceria com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias. "A maior parte do investimento está prevista para 2012 e 2013, muito em cima do evento."
 
A pesquisa coordenada por Fernandes mostra que, mesmo que as obras previstas para os aeroportos estejam finalizadas até 2014, a demanda de passageiros excederá a capacidade de alguns aeroportos. A capacidade prevista para o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no ano na Copa, por exemplo, é de 6,8 milhões de passageiros por ano, porém, estima-se que 8,3 milhões circularão pelos saguões.

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