terça-feira, 1 de junho de 2010

Em 20 anos, demanda aérea irá triplicar



Estrutura em terminais deve ser grande problema
Instituo aponta possíveis soluções para a questão
O transporte de passageiros no mercado aéreo nacional deverá triplicar nos próximos 20 anos, de acordo com projeções do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgadas nesta segunda-feira, 31.
No estudo - que faz parte da “Série Eixos do Desenvolvimento Econômico” -, o instituto destaca que a perspectiva conta com a hipótese de um crescimento anual do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,5% - para este ano, há previsões de até 7%.
Segundo o levantamento, “é muito provável que o País tenha, nas próximas duas décadas, uma das maiores expansões de tráfego aéreo e de rentabilidade das empresas no mundo”. Entretanto, o instituto destaca que o desenvolvimento do setor está condicionado à modernização da infraestrutura dos aeroportos, sobretudo os do Estado de São Paulo.
De acordo com a pesquisa, as deficiências nas infraestruturas aeroportuária e aeronáutica prejudicam consideravelmente as operações aéreas. Além disso, estes gargalos se tornarão ainda mais graves a partir de 2013, aponta o Ipea. “Aeroportos como Congonhas, Guarulhos e Brasília já atingem ou estão próximos da sua capacidade operacional máxima”.
O estudo do Ipea prevê ainda que o transporte aéreo de cargas vá crescer aproximadamente 150% até 2025. Apesar do salto, o setor representará apenas 1% dos transportes daqui a 15 anos. Dados de 2005 mostram que o transporte rodoviário representava 58% do total, o ferroviário era 25% e o aéreo apenas 0,4%.
Os fatores que contribuiriam para esse aumento do transporte aéreo são a dimensão continental do território, a alta mobilidade geográfica e social da sua população, o acelerado deslocamento das fronteiras econômicas, vasta gama de bens e serviços e estabilidade monetária no longo prazo e o consequente aumento do poder aquisitivo dos consumidores.
Soluções
A análise também apresenta cinco alternativas para o problema de infraestrutura aeroportuária no Brasil. Entrentanto, segundo o economista Josef Barat, um dos responsáveis pelo estudo, todas elas já deveriam ter sido tomadas há pelo menos duas décadas.
“O problema agora é recuperar o tempo perdido. Isso demanda investimentos vultosos e é um planejamento para 30 ou 40 anos”, garante. Segundo ele, as medidas a serem tomadas visam fazer com que a distribuição de recursos seja feita “de acordo com o que a demanda e a segurança exigem em termos de terminais, pátios, pistas e sistemas de aproximação e proteção ao voo”.
As propostas são:
  1. Simples abertura do capital da Infraero, tornando-a uma Sociedade Anônima de capital aberto e ações negociadas em bolsa – com maioria ou não do capital da União. Neste caso, mantém-se a gestão da infraestrutura aeroportuária como um sistema integrado e a preservação do mecanismo de subsídio cruzado aos aeroportos deficitários;
  2. Concessão por lotes de aeroportos rentáveis e não rentáveis, com encargos claramente definidos de investimentos em pistas, pátios, terminais e instalações de apoio;
  3. Concessão à exploração privada apenas dos poucos aeroportos rentáveis, por meio de concessões específicas;
  4. Construção de novos terminais nos aeroportos saturados mediante parceria público-privada – caso haja necessidade de contraprestação pública – ou concessão simples, em que o ente privado assumiria a construção e a operação do novo edifício por tempo determinado;
  5. Construção de novos aeroportos pela iniciativa privada, via parceria público-privada ou concessão simples, com o intuito de complementar e competir com a Rede Infraero, naquelas localidades em que a demanda se justifica e a possibilidade de expansão dos aeroportos existentes esteja esgotada.

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