domingo, 12 de dezembro de 2010

Infraero deve demorar dois anos para abrir capital

10/12/2010 - Valor Econômico

A abertura de capital da Infraero prometida pela presidente eleita Dilma Rousseff não deverá ser a solução para resolver as limitações que afligem o setor aeroportuário. Segundo a coordenadora-geral do PAC e futura ministra do Planejamento, Miriam Belchior, o processo de reestruturação da empresa vai demorar pelo menos dois anos para ser concluído. Ou seja, até lá boa parte das obras de construção e ampliação dos aeroportos deverá estar avançada, sob risco de a situação ficar absolutamente inviável. "Não são decisões simples de serem tomadas, não acredito que a abertura ocorra antes de um ano e meio, dois anos", comentou Miriam.

Antes de reestruturar a estatal, o caminho mais provável para acelerar os projetos deverá ser a aposta na concessão de aeroportos para a iniciativa privada. O governo já tem nas mãos um estudo elaborado pela consultoria Mckinsey, a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A empreitada vai se basear na experiência da primeira concessão à iniciativa privada de um aeroporto no país, o de São Gonçalo Amarante, no Rio Grande do Norte. O projeto tem investimento previsto de R$ 450 milhões a R$ 600 milhões. A expectativa é de que o leilão do aeroporto ocorra no próximo ano.

As dificuldades do setor aeroportuário passam pela lentidão da Infraero em executar seu próprio orçamento. Do R$ 1,6 bilhão que a estatal tinha previsto para investir no setor até o fim deste ano, apenas R$ 358 milhões foram desembolsados até outubro, segundo a ONG Contas Abertas. De acordo com informações do Portal da Transparência, apenas 0,9% dos valores disponíveis para os contratos em aeroportos das 12 cidades que receberão a Copa do Mundo de futebol de 2014 foram executados.

Segundo o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que vai assumir o Ministério das Comunicações, não há razões para se preocupar com as obras que suportarão a Copa. Questionado sobre a eventual possibilidade de o governo reduzir de 12 para oito o número de cidades que receberão os jogos, Bernardo afirmou que o assunto está fora de cogitação e que o governo mantém seu plano original. (AB)

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