quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Delta paga US$ 100 mi por 3% da Gol

08/12/2011 - O Estado de São Paulo

Com acordo, a Gol ganha alcance internacional, sem precisar investir, e a americana Delta amplia presença no mercado brasileiro

MARINA GAZZONI

A Gol anunciou ontem a venda de 3% de participação para a companhia aérea americana Delta Airlines, por US$ 100 milhões. Segundo as empresas, o negócio significa uma parceria estratégica entre elas. O acordo com a Delta é o primeiro feito pela Gol que permitirá que seus clientes comprem, em seus canais de venda, passagens para voos de uma parceira internacional.

O aporte da Delta será depositado no caixa da Gol ainda neste mês, mas os benefícios do acordo entrarão em vigor em um prazo de 6 a 12 meses. Os clientes das duas companhias terão acesso a voos para 400 destinos, em 70 países. Os clientes também poderão usar as milhas de uma companhia para emitir passagens na outra. A Delta terá direito a um assento no Conselho de Administração da Gol.

O negócio com a Delta reforça a estratégia da Gol de operar rotas de longa distância por meio de code share (compartilhamento de voos), e deixa para trás um plano antigo de usar aviões próprios nesses voos. Quando a companhia comprou a Varig, em 2007, um dos motivos para o negócio era seu alcance internacional, que chegava à Europa e aos EUA. Mas, posteriomente, essas rotas foram extintas.

"Esse movimento está em linha com a nossa estratégia de ampliar nosso alcance internacional, sem diversificar a frota", disse o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior. A Gol voa com os modelos Boeing 737-700 e 737-800, que podem transportar até 187 passageiros - para rotas internacionais, os aviões são maiores.

Segundo Constantino, o acordo com a Delta não é uma reação da Gol à fusão entre a sua principal concorrente, a TAM, com a chilena LAN. "Não há interferência da Latam", disse. Para o analista de transportes do Santander, Caio Dias, os negócios são bem diferentes. "O acordo entre Delta e Gol é uma parceria ampla e estratégica. O da TAM com a LAN é uma fusão para valer."

A aposta nas parcerias com empresas estrangeiras é uma fórmula que permite à Gol ganhar com o crescimento das viagens de longa distância feitas a partir do Brasil sem realizar um grande investimento. "É uma estratégia sensata para uma empresa que quer competir no mercado internacional, mas manter uma complexidade baixa", diz o sócio da Bain & Company na área de aviação, André Castellini.

Para a Delta, a parceria com a Gol é uma tentativa de aumentar sua presença no mercado brasileiro de aviação, um dos que mais crescem no mundo. "O 'timing' foi perfeito para eles. É pouco antes do acordo de 'céus abertos' entre o Brasil e os EUA entrar em vigor", disse Dias. Até 2015, uma mudança na legislação do setor acabará com a restrição de voos entre os Países.

Segundo o CEO da Delta, Richard Anderson, a compra de participações minoritárias em outras empresas não é uma operação usual para a Delta. "Só fazemos isso quando há uma boa oportunidade", diz. Além da Gol, a Aeroméxico já recebeu investimento da Delta.

A rota Brasil-EUA é a que mais transporta passageiros em voos internacionais - 3,24 milhões de pessoas em 2010, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com 32 voos semanais, a Delta responde por 15% desse tráfego, atrás de American Airlines (31,9%) e TAM (29,7%). A compra de uma fatia da Gol pela Delta deve por um fim na parceria comercial da Gol com a sua conterrânea American Airlines, feita em 2009. Segundo Constantino, o acordo vale até setembro de 2012. "Naturalmente, depois disso, vamos focar no acordo com a Delta."

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