quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Aumento de passageiros em terminais superou o da China

01-02-2012 - O Estado de São Paulo

Expansão foi de 13,7% em viagens domésticas em 2011; crescimento entre países emergentes só ficou atrás do da Índia

Jamil Chade, correspondente de O Estado de São Paulo

GENEBRA - Os aeroportos brasileiros apresentaram em 2011 o segundo maior aumento de passageiros entre as maiores economias, alavancando as empresas latino-americanas a obterem as altas mais expressivas na atividade.

Dados da Iata apontam que a expansão no número de pessoas que usaram os aeroportos em 2011 para viagens domésticas foi de 13,7% no Brasil , superando o aumento do setor aéreo na China e ficando abaixo apenas do da Índia. Em média, o crescimento do setor no País é ainda mais de três vezes superior à média mundial. A expansão brasileira garantiu que as empresas aéreas da América Latina obtivessem os melhores resultados financeiros do mundo no ano passado.

A situação do Brasil contrasta com o desempenho nos Estados Unidos. O mercado americano, o maior do mundo, teve alta de apenas 1,3%, diante das dificuldades econômicas. Em dezembro, em plena época de festas, o número de viajantes chegou a sofrer uma contração nos Estados Unidos. No mundo, o volume de passageiros cresceu em 4,2%.

A liderança é da Índia, com aumento de 16,4% no número de passageiros. Mas, com investimentos das empresas, a capacidade de lugares cresceu 18,6%. Isso acabou impedindo o aumento dos lucros de empresas locais.

No caso do Brasil, a alta no número de passageiros foi superior à expansão na capacidade de transporte das empresas. O aumento de pessoas usando o avião para viagens domésticas foi de 13,7%, ante uma expansão da capacidade de apenas 11,2%. No total, houve 79 milhões de desembarques no Brasil em 2011, um recorde. O crescimento do mercado no Brasil ajudou a América Latina a ter a melhor taxa de expansão do mundo.

O que a Iata alerta, porém, é que aviões no Brasil continuam voando com uma taxa de ocupação relativamente baixa e em queda. A taxa de ocupação caiu de 72% em 2010 para 69% em 2011. A média mundial é acima de 77% e, nos Estados Unidos e na China, chega a 82%.

Mesmo nos mercados emergentes, a desaceleração da economia mundial foi sentida em dezembro. A expansão de passageiros em dezembro no Brasil, por exemplo, foi de pouco mais de 5%. No mundo, de apenas 0,7%.

No que se refere às viagens internacionais, a constatação da Iata é também de queda em todo o mundo nos últimos meses de 2011. Nos primeiros seis meses, a expansão havia sido de 6,2%. Mas entre setembro e dezembro a alta foi de apenas 1,2%.

Para o presidente da Iata, Tony Tyler, o ano foi de "contrastes". "O otimismo na China se contrastou com a situação na Europa", disse, lembrando que o comércio de cargas chegou a recuar 0,7% no ano.

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