sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Azul teme aumento de custo com privatização

1/02/2012 - O Estado de São Paulo

David Neeleman, fundador da empresa, apoia a concessão de aeroportos, mas diz que ágio pago foi alto, o que pode provocar alta das tarifas
SILVANA MAUTONE - O Estado de S.Paulo

Apesar de considerar a privatização dos Aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília positiva, o fundador da Azul, David Neeleman, se diz preocupado com o possível aumento de custos para as companhias aéreas. "O ágio pago foi grande e as empresas têm de ter retorno do investimento. Quando os custos dos aeroportos são altos, as passagens sobem e menos pessoas viajam", diz. Segundo ele, se isso ocorrer, o alto valor arrecadado pelo governo com o leilão será apenas um benefício de curto prazo para o governo.

O edital de privatização dos aeroportos estabelece que as tarifas pagas pelas companhias aéreas, como de pouso e decolagem, continuarão controladas. Mas outras, como por exemplo o aluguel cobrado pelas áreas de check-in e serviços de carregamento de bagagem, poderão ser estabelecidas livremente pelos consórcios vencedores. Há ainda o risco de custos indiretos. Empresas que fornecem combustível para os aviões, por exemplo, hoje pagam um porcentual da receita para a Infraero e, nos aeroportos privatizados, passarão a pagar aos consórcios. Se essa taxa subir, o preço do querosene de aviação também subirá, o que pode ter grande impacto nas finanças das companhias aéreas, já que cerca de 30% dos seus custos totais referem-se a despesas com combustível.

Por outro lado, Neeleman acredita que os avanços na infraestrutura podem ser significativamente positivos. No aeroporto de Campinas, que serve de base para a Azul, ele disse haver necessidade de ampliação não só do terminal - mais estacionamento, salas de espera, restaurantes -, mas também no espaço chamado de pátio, onde as aeronaves são estacionadas, e no número de pistas (o que é previsto no contrato).

Segundo o vice-presidente comercial da Azul, Paulo Nascimento, investimentos em pátios, por exemplo, contribuem para acelerar os procedimentos de pouso e decolagem, pois facilitam a liberação das pistas. "É menos tempo com o motor ligado, menos tempo gastando combustível."

Ao ser questionado sobre o consórcio ganhador da concessão de Campinas, Neeleman disse estar "satisfeito". "Achamos que ele tem condições de cumprir as exigências do contrato", afirmou. O consórcio é formado pela Triunfo (45%), a UTC Engenharia (45%) e a operadora aeroportuária francesa Egis (10%).

Investimentos. Neeleman quer que o governo consulte as empresas aéreas antes de decidir onde aplicar os recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil, destinado para investimentos em aeroportos. Ele já esteve em Brasília esta semana conversando com representantes da Anac. "É importante consultar as áreas para aplicar esse dinheiro onde é importante." Neeleman disse que a Azul tem interesse de passar a operar em mais aeroportos regionais, mas não revelou onde. Porém, segundo ele, os aeroportos precisam de investimentos em infraestrutura.

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