segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Galeão: entre obras e desperdícios

12/02,2012 - O Globo

Cobiçado por empresas, terminal é visto como ‘salvação’ pela Infraero

O aeroporto do Galeão tem tudo para ser o novo palco de batalha do setor: empresários enxergam oportunidades de negócio na sua privatização, enquanto parte da Infraero se agarra a ele para manter um grande terminal sob sua gestão. Para isso, faz obras que prometem melhorá-lo como nunca visto antes, dando padrão “internacional” ao velho Tom Jobim. Mas mesmo essa frente esbarra em desperdício e falta de planejamento.

A estatal quer, até o fim de 2013, finalmente estrear todo o Terminal 2, o único com voos internacionais, e ter novo nível de conforto. Vai ainda reformar todo o Terminal 1, e preparar pistas e pátios para receber o A380, o maior avião de passageiros do mundo, contando com novo tipo de controle de tráfego que será dos mais modernos, igual aos grandes terminais do mundo. Pretendem elevar a capacidade de18 milhões de passageiros por ano para 44 milhões.

— Com as obras o Galeão ficará pronto e em boas condições. O terceiro terminal só será necessário em 2025 — diz Abibe Ferreira Jr., superintendente regional da Infraero, que não se posiciona sobre a privatização do aeroporto, acrescentando que isso é uma decisão de governo.

Analistas: investimentos não serão suficientes

Mas as obras — que serão mais sentidas a partir de abril, quando inaugura a primeira nova parte do Terminal 2 e fecha um trecho do 1 — ainda mostra absurdos da administração estatal. O sistema de refrigeração central do Terminal 2 quebrou e, em vez de arrumá- lo, a estatal comprou dezenas de aparelhos de ar-condicionado do tipo split, espalhando pelo teto do terminal (foto acima). Além de inadequados a esses ambientes, eles consomem mais energia. Esses aparelhos já estão no ar da nova parte do terminal a ser inaugurada em abril:

— Foi emergencial, não tínhamos tempo para consertar, fazer licitação. Então compramos esses aparelhos. Mas não será desperdício, quando arrumarmos o sistema central vamos repassar esses aparelhos a outros terminais pelo país — diz Ferreira.

Além disso, especialistas dizem que o investimento de R$ 813,27 milhões no Galeão não será suficiente. Eles ressaltam, por exemplo, que seria necessário construir um novo terminal, por até R$ 2 bilhões.

Renaud Barbosa, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), da FGV, diz que para o Galeão estar entre os melhores do mundo é preciso melhorar o atendimento e reforçar suas instalações, como elevadores, arcondicionado e escadas rolantes. Ele questiona ainda a capacidade do aeroporto em 2014 só com reformas em dois terminais.

— Para a Copa, o Galeão pode estar preparado, mas não para os Jogos. Será preciso novo terminal.

Marcos José Barbieri Ferreira, professor da Unicamp, lembra que as atuais reformas em curso podem ser insuficientes para receber os Jogos. Apesar de os investimentos da Infraero mais que dobrarem a capacidade do Galeão, o espaço do pátio para aeronaves permanecerá igual, em 712.895 metros quadrados.

— O Galeão tem projeto para ter até quatro terminais. Em algum momento, a expansão será necessária. Além dos eventos esportivos, há o crescimento da economia e o pré-sal. (Henrique Gomes Batista e Bruno Rosa)

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