quinta-feira, 15 de março de 2012

Atual aeroporto de Viracopos poderá virar pó

15/03/2012 - O Estado de São Paulo

Consórcio vencedor da concessão do terminal, que enfrenta recurso administrativo na Anac, deve descartar edifício e construir um novo, de seis andares

FERNANDO SCHELLER

Dentro de dois anos, no que depender do consórcio vencedor da concessão do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, o atual prédio em que circulam passageiros vai virar pó. O projeto de ampliação do terminal prevê a substituição do atual edifício por um novo, de cinco ou seis andares. O objetivo é que, até 2014, o terminal tenha capacidade de suportar o movimento de 20 milhões de passageiros ao ano (hoje, a estrutura planejada para 4 milhões de pessoas já comporta 7,5 milhões).

O consórcio Aeroportos Brasil, formado por Triunfo, UTC e Egis Airport, trabalha com a empresa de projetos holandesa Naco para ter o desenho do novo aeroporto pronto em 45 dias (a assinatura do contrato com o governo está prevista para o dia 4 de maio). No entanto, antes que o grupo seja sacramentado como operador do maior aeroporto do interior paulista, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai avaliar recurso administrativo da Odebrecht, parte do consórcio rival Novas Rotas, que questiona a capacidade gerencial e financeira do vencedor e tenta anular o resultado.

Apesar da indefinição, a Naco trouxe seis pessoas de sua equipe para arrematar os detalhes do projeto em São Paulo. Segundo Ben Hasselman, diretor de desenvolvimento de negócios da empresa, o prazo para a execução é apertado. O contrato prevê que a obra esteja pronta até junho de 2014, véspera do início da Copa do Mundo do Brasil. Segundo cálculos de mercado, a primeira fase do novo terminal, que exigirá 120 mil metros quadrados de novas construções, deverá consumir investimentos de cerca de R$ 1 bilhão.

Com 60 anos de mercado, a Naco é basicamente uma empresa de projetos, e não se envolve diretamente na obra. No entanto, funcionários da companhia acompanham os trabalhos para garantir que as empreiteiras sigam o desenho à risca. A empresa participou de projetos de grandes terminais internacionais, como os de Frankfurt, Moscou, Abu Dabi e Pequim. Para a Naco, o Aeroporto de Viracopos é considerado um projeto de médio porte, mas significa a porta de entrada para o Brasil. "Fizemos projetos na Colômbia, no México e na Argentina. Antes desse processo de privatização, o mercado brasileiro esteve fechado para nós", diz o executivo.

Detalhes. Embora o projeto de Campinas ainda vá passar por mudanças, Hasselman diz que ele seguirá algumas características de uma tendência chamada "aeroporto verde". Isso inclui o aproveitamento da luz do dia, para reduzir o consumo de energia elétrica, além de soluções para o descarte do lixo e a redução do desperdício de água.

O projeto prevê ainda a viabilização da conexão com o trem de alta velocidade (TAV) que deverá ligar o Rio de Janeiro a São Paulo, apesar de o governo ter descartado sua conclusão até a Copa do Mundo. Além disso, o desenho dos 28 "fingers" previstos em contratos (que vão levar os passageiros do terminal diretamente ao avião) priorizará a redução do período de taxiamento das aeronaves para reduzir a queima de combustível.

A área comercial deverá ganhar um espaço próprio no novo edifício, segundo o executivo da empresa holandesa. Embora viabilizar operações comerciais seja importante, o especialista diz que é preciso priorizar a circulação. "Não estamos fazendo um shopping. A sinalização precisa estar sempre visível e a propaganda não pode ficar no meio do caminho."

A primeira fase do projeto também já contemplará o que se chamada de "Cidade Aeroporto", com a atração de hotéis, edifícios de escritório e espaços para convenções de forma organizada. Isso evitaria um conflito entre o entorno e o projeto arquitetônico do terminal.

Quanto ao prédio atual, a Naco chegou a cogitar usá-lo como depósito. Entretanto, Hasselman diz que é preciso evitar que a área vire um plantel de "esqueletos" de edifícios. Por ele, o prédio vai ao chão. Isto é, se a Anac der o aval definitivo para o consórcio para o qual trabalha.oderá virar pó
Consórcio vencedor da concessão do terminal, que enfrenta recurso administrativo na Anac, deve descartar edifício e construir um novo, de seis andares
FERNANDO SCHELLER - O Estado de S.Paulo

Dentro de dois anos, no que depender do consórcio vencedor da concessão do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, o atual prédio em que circulam passageiros vai virar pó. O projeto de ampliação do terminal prevê a substituição do atual edifício por um novo, de cinco ou seis andares. O objetivo é que, até 2014, o terminal tenha capacidade de suportar o movimento de 20 milhões de passageiros ao ano (hoje, a estrutura planejada para 4 milhões de pessoas já comporta 7,5 milhões).

O consórcio Aeroportos Brasil, formado por Triunfo, UTC e Egis Airport, trabalha com a empresa de projetos holandesa Naco para ter o desenho do novo aeroporto pronto em 45 dias (a assinatura do contrato com o governo está prevista para o dia 4 de maio). No entanto, antes que o grupo seja sacramentado como operador do maior aeroporto do interior paulista, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai avaliar recurso administrativo da Odebrecht, parte do consórcio rival Novas Rotas, que questiona a capacidade gerencial e financeira do vencedor e tenta anular o resultado.

Apesar da indefinição, a Naco trouxe seis pessoas de sua equipe para arrematar os detalhes do projeto em São Paulo. Segundo Ben Hasselman, diretor de desenvolvimento de negócios da empresa, o prazo para a execução é apertado. O contrato prevê que a obra esteja pronta até junho de 2014, véspera do início da Copa do Mundo do Brasil. Segundo cálculos de mercado, a primeira fase do novo terminal, que exigirá 120 mil metros quadrados de novas construções, deverá consumir investimentos de cerca de R$ 1 bilhão.

Com 60 anos de mercado, a Naco é basicamente uma empresa de projetos, e não se envolve diretamente na obra. No entanto, funcionários da companhia acompanham os trabalhos para garantir que as empreiteiras sigam o desenho à risca. A empresa participou de projetos de grandes terminais internacionais, como os de Frankfurt, Moscou, Abu Dabi e Pequim. Para a Naco, o Aeroporto de Viracopos é considerado um projeto de médio porte, mas significa a porta de entrada para o Brasil. "Fizemos projetos na Colômbia, no México e na Argentina. Antes desse processo de privatização, o mercado brasileiro esteve fechado para nós", diz o executivo.

Detalhes. Embora o projeto de Campinas ainda vá passar por mudanças, Hasselman diz que ele seguirá algumas características de uma tendência chamada "aeroporto verde". Isso inclui o aproveitamento da luz do dia, para reduzir o consumo de energia elétrica, além de soluções para o descarte do lixo e a redução do desperdício de água.

O projeto prevê ainda a viabilização da conexão com o trem de alta velocidade (TAV) que deverá ligar o Rio de Janeiro a São Paulo, apesar de o governo ter descartado sua conclusão até a Copa do Mundo. Além disso, o desenho dos 28 "fingers" previstos em contratos (que vão levar os passageiros do terminal diretamente ao avião) priorizará a redução do período de taxiamento das aeronaves para reduzir a queima de combustível.

A área comercial deverá ganhar um espaço próprio no novo edifício, segundo o executivo da empresa holandesa. Embora viabilizar operações comerciais seja importante, o especialista diz que é preciso priorizar a circulação. "Não estamos fazendo um shopping. A sinalização precisa estar sempre visível e a propaganda não pode ficar no meio do caminho."

A primeira fase do projeto também já contemplará o que se chamada de "Cidade Aeroporto", com a atração de hotéis, edifícios de escritório e espaços para convenções de forma organizada. Isso evitaria um conflito entre o entorno e o projeto arquitetônico do terminal.

Quanto ao prédio atual, a Naco chegou a cogitar usá-lo como depósito. Entretanto, Hasselman diz que é preciso evitar que a área vire um plantel de "esqueletos" de edifícios. Por ele, o prédio vai ao chão. Isto é, se a Anac der o aval definitivo para o consórcio para o qual trabalha.

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