sexta-feira, 16 de março de 2012

Infraero tem o melhor desempenho desde 2008

16/03/2012 - Valor Econômico

Em balanço que divulga hoje, a Infraero teve lucro líquido de R$ 156,8 milhões no ano passado, o melhor desempenho financeiro desde 2008. Esse resultado desconta todos os investimentos feitos com recursos próprios da estatal, que são contabilizados como despesas em ativos da União. Quando esse desconto não é levado em conta, o lucro aumenta para R$ 370,8 milhões e fica 58% superior ao de 2010.

O diretor financeiro da Infraero, Mauro Roberto Pacheco de Lima, considerou "muito bom" o resultado e disse que ele ilustra o funcionamento adequado da gestão aeroportuária. "Notamos que mais uma vez, apesar das análises catastrofistas, o sistema está funcionando. Não negamos os problemas, mas não existe nenhuma restrição às operações do setor aéreo e temos que celebrar isso", ressaltou o executivo.

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Segundo ele, o crescimento de dois dígitos do número de passageiros nos aeroportos brasileiros ao longo dos últimos anos "cria uma situação difícil para qualquer operador", mas esse aumento deve se acomodar "para duas ou, no máximo, três vezes" a expansão do PIB como um todo.

No ano passado, o faturamento da Infraero alcançou R$ 3,7 bilhões. Isso é consequência de um aumento de 15,1% das receitas comerciais e de 29,5% das receitas aeronáuticas. Cada uma corresponde a cerca de metade da receita bruta, mas o crescimento do número de passageiros voando e o reajuste de tarifas cobradas das companhias aéreas - que estavam congeladas desde 1997 - ajudaram a explicar o aumento de receitas aeronáuticas.

Este será o último ano em que a Infraero manterá o tamanho de sua rede atual, com 66 aeroportos. A operação de Guarulhos, Viracopos e Brasília será transferida para a iniciativa privada no segundo semestre, com um período de transição que começa em maio, com a assinatura dos contratos de concessão. O aeroporto de Natal, hoje administrado pela estatal, será desativado quando o de São Gonçalo do Amarante - 100% privado - entrar em operação, o que deve ocorrer até 2014.

O desafio não é pequeno, reconhece Mauro Lima. No ano passado, Guarulhos foi o aeroporto mais rentável de toda a rede, com superávit de R$ 448,2 milhões. Os terminais de Viracopos e de Brasília estão em terceiro e em sexto na lista dos mais lucrativos, respectivamente. Em todos eles, a Infraero ficará com 49% de participação nas concessionárias privadas que ficarão responsáveis por administrar os aeroportos.

O impacto da retirada dessas instalações no balanço da estatal só deve ser plenamente sentido em 2013. Lima admite que, no início da concessão, o pagamento da outorga e os investimentos em ampliação da capacidade vão pesar mais. Ele frisa, no entanto, que "o plano de negócios dos consórcios foi validado por grandes bancos internacionais" e não gerará "prejuízo exagerado" no balanço desses aeroportos nem mesmo no início do contrato.

A Infraero terá que investir R$ 622 milhões para capitalizar as sociedades de propósito específico (SPEs) a serem criadas para administrar Guarulhos, Viracopos e Brasília. Esse desembolso deverá ser feito em até 22 meses. Se houver necessidade de novos aportes no capital social das SPEs, a estatal acompanhará os sócios privados, a fim de manter sua participação no negócio. "A orientação do governo é preservar os 49%."

Mauro Lima afirma que a Infraero se debruça sobre uma série de medidas para permitir o lançamento de ações no mercado, mas sem pressa. "A abertura de capital pode dispersar esforços, que agora precisam estar focados na expansão da infraestrutura", comenta. O objetivo é que essas medidas tenham sido implantadas até o fim de 2013, permitindo a abertura de capital em 2014, mas dependendo de uma decisão política do governo.

Para que isso ocorra, estão previstas ações como a reestruturação do conselho de administração da empresa (o que já foi feito), ajustes no sistema contábil e uma auditoria atuarial no fundo de previdência privada. O governo também precisa transferir formalmente os aeroportos da rede à Infraero. Eles pertencem à União e não existe nenhum contrato de concessão dos terminais para a estatal. O plano de outorgas do setor, que está sendo formulado pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), pode abrir caminho para isso. Finalmente, seria preciso elaborar e aprovar no Congresso um projeto transformando a empresa pública em sociedade de economia mista.

Em 2011, os investimentos da Infraero atingiram R$ 1,145 bilhão e chegaram a um patamar recorde. "O objetivo para 2012 é executar todos os R$ 2 bilhões que temos disponíveis", disse Lima. Neste ano, ele garante que terão início obras de ampliação da capacidade nos aeroportos de Foz do Iguaçu, Fortaleza, Florianópolis e Cuiabá. Em 2011, já foram iniciados trabalhos nos terminais de passageiros de Manaus e de Confins. Em Guarulhos, foi concluído o terminal remoto de passageiros e estão em andamento os trabalhos de terraplenagem do terminal 3, além da reforma das pistas. (DR)

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