quinta-feira, 15 de março de 2012

Viracopos terá terminal ferroviário para passageiros

14/03/2012 - Valor Econômico

SÃO PAULO - Envolvida no projeto de mais de 500 aeroportos pelo mundo, a holandesa Naco (sigla para Netherlands Airport Consultants) foi escolhida pelo consórcio Aeroportos Brasil para realizar o projeto de Viracopos, em Campinas (SP). O conceito geral do projeto ainda não foi definido pelas sócias ganhadoras da concessão do aeroporto (Triunfo Participações e Investimentos, UTC Participações e a operadora francesa Egis). No entanto, segundo o diretor de desenvolvimento de negócios da Naco, Ben Hasselman, algumas características já estão definidas, como a presença de um terminal ferroviário de passageiros dentro do aeroporto.

Segundo ele, o terminal pode ser o do trem de alta velocidade — projeto idealizado pelo governo federal para ligar Campinas a São Paulo. Mas também pode ser de um trem tradicional, como o projetado pelo governo do Estado de São Paulo. Hasselman diz que o projeto pode ter grande sucesso, visto que, em Amsterdã (em aeroporto semelhante ao de Viracopos, segundo ele), 40% dos passageiros do avião usam o trem. “Não sabemos quem vai arcar com os custos [do terminal]. Pode ser apenas o consórcio, ou ele em parceria com a administradora do trem. Não está fechado”.

Também estão previstos no projeto pelo menos um centro de convenções e três hotéis, sendo um deles junto ao aeroporto e outros dois mais afastados. “Ainda é cedo para falar no tamanho de cada um”, afirma. Também não está definido o modelo de exploração comercial desses espaços – se o próprio consórcio administrará ou se venderá a outros interessados.

Para ele, uma das boas características do projeto é sua flexibilidade. É possível, diz, expandir os terminais sem grandes complicações. “Há projetos na Ásia e no Oriente Médio para construir os terminais em forma de pássaros e outras figuras. Eu odeio isso, porque depois você não consegue expandir com facilidade. É preciso, com o aumento da demanda, construir outro prédio. Não faz sentido”, ilustra. Ele ainda diz que o projeto de Viracopos é “praticamente” um green field (projeto construído do zero), por seu potencial de expansão de 7,5 milhões de passageiros ao ano para 80 milhões (até o final da concessão, que dura 30 anos).

Hasselman admite que aeroporto não estará entre os mais modernos do portfólio da companhia. “Será um aeroporto modesto, parecido com o que desenvolvemos em Amsterdã para a Schiphol [administradora do aeroporto holandês]”, diz ele, que enumera como mais complexos terminais desenvolvidos em Beijing e Abu Dhabi. “Nesse caso, foram projetos contratados pelo governo, aí sempre é uma coisa vultuosa. Os empresários costumam ser mais modestos”, afirma. Mesmo assim, diz ele, o projeto será moderno e cumprirá as necessidades dos passageiros.

Segundo Carlos Fernando Valente, diretor de desenvolvimento comercial da UTC Participações (um dos integrantes do consórcio), o prazo para entrega do projeto básico é de 90 dias após a assinatura do contrato de concessão com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Escritório

Hasselman diz que a atuação da empresa está mais voltada a mercados emergentes. Seus escritórios estão localizados no Oriente Médio, na África e na China. Ele ainda revela que a intenção da empresa é abrir um escritório no Brasil. “Já tínhamos essa intenção. Com a entrada no projeto de Viracopos, isso se torna mais real”, diz. Além disso, diz ele, a intenção é que a empresa abra escritórios na Espanha e na Alemanha.

Ele não revela quanto o projeto elaborado para Viracopos vai render à Naco. Mas ele diz que um projeto como o elaborado para a Schiphol, de Amsterdã (mencionado por ele como semelhante a Viracopos) custou cerca de 1 milhão de euros (R$ 2,3 milhões).

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