segunda-feira, 2 de abril de 2012

Anac autoriza o dobro de voos em Congonhas sábado à noite

31/03/2012 - Folha de São Paulo

Agência colocou à disposição novas vagas em períodos ociosos no aeroporto
Regra prevê aumentar em 91% o movimento de aviões no domingo pela manhã; moradores criticam medida

RICARDO GALLO

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) autorizou dobrar o número de voos no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) aos sábados à noite e aumentar em até 91% o movimento aos domingos pela manhã.

A decisão deixou irados os moradores do entorno, que reclamam do barulho dos aviões e pedem na Justiça a redução do horário de funcionamento do aeroporto.

A ampliação se dará porque a Anac irá oferecer às companhias aéreas horários livres em Congonhas; só há períodos ociosos aos finais de semana. O sorteio das vagas ("slots") será em 18 de abril. São 227 vagas, diz a agência.

Se novos voos ocuparem todos os horários disponíveis, o movimento em Congonhas nas noites de sábado e manhãs de domingo será igual ao de um dia de semana: 30 voos por hora, o máximo permitido para voos regulares.

Aos sábados, das 18h às 22h, o número de voos saltará de 67 para até 136. Das 6h às 11h de domingo, serão até 136 voos, contra os atuais 94.

A agência afirma que a redistribuição dos horários é prevista em lei e ocorre de tempos em tempos; a última foi em 2010. Diz ainda que não significa necessariamente que todos os horários sejam usados, pois isso depende do interesse das empresas.

"Será péssimo. Barulho faz mal à saúde mental e física. Eles têm que entender que a vizinhança do aeroporto é ocupada por famílias, crianças", diz Rosangela Lurbe, da associação de moradores de Moema, uma das que lutam por reduzir o horário do aeroporto. "Imagina sábado à noite e domingo de manhã um avião por minuto aqui perto."

Estudo da Anac de 2011 apontou que o ruído em "nível inaceitável" provocado pelos voos no aeroporto afeta 31 mil pessoas no entorno.

Congonhas funciona das 6h às 23h. O último voo chega às 22h30. A Prefeitura de SP e os moradores entraram na Justiça para reduzir o horário de operação; Anac, Infraero e as companhias são contra. Ainda não há decisão.

Ronaldo Jenkins, diretor do sindicato das empresas aéreas, vê a medida como "normal", dentro da lei e do horário definido para Congonhas.

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