segunda-feira, 30 de abril de 2012

Governo exige a troca das empresas que iriam operar os aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos

30/04/2012 - Melhores Destinos

Isso é o que uns chamariam de notícia bomba. Em fevereiro, 3 consórcios venceram as licitações de privatização operação dos aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos. Diante da situação atual desses aeroportos, muito se comemorou. Porém naquela época muitos técnicos e até alguns políticos de oposição criticaram a licitação argumentando que o processo tinha falhas graves e que as empresas vencedoras não seriam as mais recomendadas.
Pois bem, o jornal valor econômico de hoje publica que o governo irá exigir troca dos operadores dos três aeroportos. Isso mesmo, depois de a licitação ter inclusive seu resultado homologado!

Na época do resultado, muito foi comentado que grandes empresas internacionais como as que operam os aeroporto de Amsterdã, Londres, Paris, Madri, Barcelona, Nova York e Frankfurt participaram do processo mas os 3 editais foram vencidos por empresas que operam aeroportos menores. Quem sabe agora o governo consegue entregar os principais aeroportos do Brasil para essas empresas que têm um reconhecimento maior. Mudar o resultado de uma licitação homologada é promessa de boas confusões na justiça, mas se no final o passageiro for beneficiado, terá sido uma boa causa. O problema é que essa mudança pode atrasar todo o processo.
Nós não somos especialistas para julgar o que é melhor ou pior. Mas fica claro que mais uma vez os aeroportos brasileiros foram vítimas de amadorismo, interesses políticos ou simplesmente incompetência mesmo.
Veja a íntegra do texto do valor valor economico e vamos acompanhar de perto os próximos capítulos.

O governo vai exigir a troca dos operadores que integram os consórcios que venceram a licitação para administrar os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas. Alegará que a mudança será feita com base no “interesse público”, uma vez que os operadores dos grupos vitoriosos no leilão, realizado em fevereiro, não têm experiência de gestão de aeroportos de grande porte.

Técnicos admitem que foi um erro não estabelecer maiores exigências quanto à capacidade dos operadores. Lamentam, ainda, a baixa exigência de capital das empreiteiras. Por isso, o governo pretende impor agora condições que, no fim, obriguem os consórcios a abrir espaço para a entrada de grandes “projetistas” (construtoras). A ideia, ao baixar as exigências feitas no leilão, foi promover maior concorrência na licitação, o que de fato ocorreu – o ágio médio foi de 347%.

A demanda de operadores “mais qualificados” será feita pela Agência Nacional da Aviação Civil. Os contratos de concessão dos três aeroportos serão assinados no fim de maio. Nos próximos leilões – provavelmente do Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte -, as regras impedirão a participação de operadores e projetistas de baixa capacidade.
O caso mais problemático é o do aeroporto de Viracopos, em Campinas. O consórcio vencedor tem como operador a Egis Airport Operation, cujo maior aeroporto sob seus cuidados, no Chipre, tem capacidade para 5,5 milhões de passageiros por ano, inferior à de Viracopos. Além disso, o governo projeta movimento de 90 milhões de passageiros por ano em Campinas daqui a 20 anos.
O Palácio do Planalto está preocupado também com a Corporación América, empresa que está no consórcio vencedor em Brasília e opera 33 aeroportos na Argentina e no Peru, Uruguai, Equador, Armênia e Itália. O maior deles é o de Buenos Aires, com capacidade para menos de sete milhões de passageiros, metade do movimento existente hoje em Brasília. Ademais, a operadora argentina tem histórico de renegociação de contratos.
No caso de Guarulhos, a operadora do consórcio é a ACSA, que administra nove aeroportos na África do Sul, entre eles, o de Joanesburgo, com capacidade para 30 milhões de passageiros, a mesma do aeroporto paulista.

“A presidente Dilma Rousseff deu autorização [à mudança dos operadores]. Ela se empenhou muito nisso e quer que esse negócio dê certo”, revelou uma fonte graduada. “Se no interesse público há um operador e um projetista mais qualificado, o que é que tem de errado? Você não está onerando a União. E a mudança tem que ser feita agora, do contrário, o projeto sai ruim. Tem que colocar gente competente para fazer”.

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