sábado, 2 de junho de 2012

Azul e Trip preveem receita de R$ 4 bilhões

29/05/2012 - Valor Econômico

Por Alberto Komatsu

A Azul e a Trip confirmaram ontem o início do processo de fusão entre as duas companhias, criando a terceira maior operação aérea do país, depois de TAM e Gol. Com projeção de faturamento combinado de R$ 4 bilhões em 2012, executivos das duas empresas anunciaram a criação da holding Azul Trip S.A.

Os acionistas da Azul terão 67% dessa holding e os controladores da Trip deterão os 33% restantes, conforme o Valor publicou ontem. Não haverá desembolso de dinheiro entre as partes envolvidas ou injeção de recursos novos na companhia. O Itaú BBA assessorou a Azul e o Credit Suisse, a Trip, para a composição acionária da nova empresa.

"Trata-se de uma fusão societária. O que estamos discutindo é o surgimento de uma holding onde estamos aportando as cotas e ações", disse o presidente da Trip, José Mário Caprioli. "Está sendo criada a terceira força da aviação brasileira", acrescentou o presidente do conselho de administração da Trip, Renan Chieppe.

O fundador e presidente do conselho de administração da Azul, David Neeleman, diz que as duas empresas permanecerão com operações independentes até as aprovações necessárias. Ainda ontem, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) foram comunicados da negociação.

A tendência, porém, é a de sobreviver apenas uma marca, mas qual ainda não foi definida. Foi criado um comitê com integrantes das duas empresas, presidido por Caprioli, para definir quais as melhores práticas, como o melhor padrão de serviço de bordo, por exemplo, para a nova empresa que terá a operação unificada.

 "Quem se preocupa com participação de mercado é que está perdendo muito dinheiro. Nós estamos aqui para ganhar dinheiro", afirmou Neeleman, ao ser perguntado qual a projeção de participação conjunta de mercado das duas empresas, até o fim deste ano. Segundo ele, não há planos de fazer uma oferta pública inicial de ações, embora essa possibilidade não esteja descartada no futuro.

A operação combinada da Azul e da Trip mostra que elas responderam por 14,23% da demanda doméstica em abril, sendo 9,94% para a Azul e 4,29% para a Trip.

Caprioli diz que as duas famílias controladoras da Trip, Caprioli e Chieppe, serão os maiores acionistas individuais da nova holding. As duas família têm 50%, cada, de participação da Trip. Recentemente, elas recompraram a participação de 26% que a regional americana Skywest detinha na Trip. O valor não foi revelado.

Neeleman deverá ter entre 8% e 10% da Azul Trip S.A. O Bozano deverá ser outro acionista de peso na nova holding, já que ele tem em torno de 20% da Azul.

A Azul Trip S.A. terá um conselho de administração com dez cadeiras. Neeleman será o presidente dessa instância e indicará mais três membros. A Trip ficará com três vagas e serão escolhidos outros três conselheiros independentes.

Do total de cidades em que as duas companhias operam, em cerca de 15% há sobreposição de voos. Segundo os executivos das duas empresas, haverá um amplo estudo de otimização de malha aérea. Demissões foram descartadas pelo presidente-executivo da Azul, Pedro Janot.

As duas companhias deverão receber dez aeronaves até o fim deste ano, sendo oito para a Azul e quatro para a Trip. No total, serão 122 aeronaves.

A Trip negociava a venda de 31% do seu capital para a TAM Linhas Aéreas, mas desde janeiro a maior empresa aérea do país perdeu a exclusividade da negociação, segundo Caprioli. As duas companhias mantém um acordo de compartilhamento de voos.

A fusão entre a Azul e a Trip ocorre em meio à desaceleração do crescimento da demanda por voos domésticos. TAM e Gol estão reduzindo a oferta, em um ano em que o mercado não deverá crescer mais do que 10%, diante dos 15,72% de 2011, dos 23,47% de 2010 e dos 17,65% de 2012.

"É uma empresa bem interessante do ponto de vista de malha aérea, especialmente em Belo Horizonte. Ela também nasce com uma posição importante em aeroportos secundários", disse o especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini.

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