sábado, 2 de junho de 2012

Pluna só prevê crescimento em 2013 

24/05/2012 - Valor Econômico, Alberto Komatsu

Após ver sua demanda anual crescer 38%, em média, nos últimos três anos, a uruguaia Pluna prevê crescimento zero em 2012. A estratégia, similar a da Gol e da TAM, é se resguardar por causa da crise e da desaceleração da aviação comercial e concentrar o foco na rentabilidade. Retomar planos de expansão só a partir de 2013, quando a companhia pode protagonizar um processo de consolidação, no Brasil, e ter o primeiro lucro desde 1974, quando era 100% estatal.

"A crise é um momento para frear o crescimento e para rever todos os processos internos e podermos ver como voltar mais eficientes. Esse é um momento em que a companhia deixa de olhar para fora e começa a olhar para dentro", diz o presidente da Pluna, Matias Campiani.

Uma das três maiores empresas aéreas estrangeiras em quantidade de voos no Brasil, a Pluna vai deixar de incorporar três aviões novos à frota atual de 13 jatos da canadense Bombardier, modelo CRJ900, para 90 passageiros. As outras duas companhias que rivalizam com a Pluna, a portuguesa TAP e a American Airlines, operam aviões com mais capacidade.

A companhia uruguaia também suspendeu temporariamente a rota Campinas-Montevidéu desde abril. Com isso, a oferta de cerca de 90 voos por semana no país foi reduzida para em torno de 80 frequências semanais. Dos 14 destinos atendidos pela Pluna, 8 são no Brasil. Neste ano, a tendência da companhia é manter a malha de voos não só no país como nos demais países onde atua.

Ao mesmo tempo em que deixará de trazer aviões novos, a frota da Pluna passa por um ciclo de manutenção. Com isso, a quantidade de aviões operacionais da empresa será de 11. Isso porque as aeronaves estão passando por um processo de reparo mais complexo, conhecido como check C, que demora em torno de 45 dias. Por isso, um avião sempre estará em reparos até meados de novembro.

Uma segunda aeronave estará sempre de prontidão para atender destinos que eventualmente tenham algum problema, como cancelamentos ou atrasos, por exemplo. Devido a essa situação atípica, a oferta da Pluna poderá recuar não mais do que 5%, até novembro, explica o diretor de vendas e alianças da companhia, o brasileiro Roberto de Oliveira Luiz, egresso da Varig.

"Em datas específicas e especialmente no fim de ano a gente vai voar mais. Principalmente para Florianópolis e Rio de Janeiro vamos aumentar a oferta", diz Luiz. Segundo ele, é por isso que, apesar da redução de oferta temporária, a Pluna pretende aumentar a taxa de ocupação média de seus aviões, em 2012, para 80%. Ano passado, acrescenta, a média ficou entre 72% e 75%.

Isso será possível, conforme Luiz, porque a Pluna pretende aumentar a média diária de operações de seus aviões para 12 horas neste ano, diante das 11 horas médias de 2011.

Campiani diz que o objetivo da Pluna é aumentar a rentabilidade em até 10%, em 2012, por meio do "yield". Esse é um indicador do valor que o passageiro paga por quilômetro transportado, que baliza reajustes de tarifa. Uma das maneiras de alcançar essa meta será aumentar as receitas auxiliares, como venda de lanches a bordo, cobrança a mais pelo embarque prioritário e até oferecer aluguel de carros, estadias em hotéis e seguro viagem no site da Pluna.

Segundo o presidente da empresa, atualmente as receitas auxiliares representam US$ 0,12 por passageiro. A ideia é chegar a US$ 0,20 até o fim deste ano.

"Para obter sinergias ou economias há duas formas: por meio da consolidação, que pode ser com uma empresa menor ou maior, fazer uma fusão. A outra é por meio de acordos comerciais. Há muito lugar para crescer", diz Campiani, prevendo uma possível negociação a partir de 2013. Para o ano seguinte, o executivo diz que há chances de fazer uma oferta pública inicial de ações.

Campiani é um dos três sócios argentinos do fundo Leadgate, que em 2007 comprou 75% das ações da Pluna, por US$ 15 milhões. O governo uruguaio mantém 25% dos papéis. Em junho de 2010, a aérea canadense Jazz Air comprou 25% do capital da Pluna que estava nas mãos do Leadgate por US$ 15 milhões.

"Lamentavelmente, a guerra de preços ocorre em épocas de baixa demanda", afirma Campiani, prevendo uma competição no setor com empresas como TAM e Aerolíneas Argentinas.

O Brasil responde por cerca de 40% da receita operacional bruta da Pluna, de US$ 143,6 milhões no ano passado, ou expansão de 54,4% ante 2010. O prejuízo, em 2011, foi de US$ 8 milhões. No ano anterior, as perdas haviam sido de US$ 17,6 milhões.

A Pluna foi criada em 1936 por empreendedores uruguaios, os irmãos Márquez Vaeza. Em 1951, a empresa foi estatizada. Em 1994 vendeu 49% das ações para a Varig. Outros 49% ficaram nas mãos do governo e 2% entre investidores uruguaios. Em meados de 2006, a Pluna quase quebrou sob o comando da Varig, que estava no auge de sua crise. Foi quando o governo novamente retomou o seu controle.

O repórter viajou a convite da Pluna

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