quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sem enfrentar TAM e Gol, Azul se consolida como 3ª maior do País

03/06/2012 - Terra

Apostar em campanhas diretas com os consumidores e evitar enfrentar diretamente a concorrência fizeram com que em apenas quatro anos a Azul Linhas Aéreas se tornasse a terceira maior do País. Fundada em 2008 pelo empresário David Neeleman - também criador da aérea americana JetBlue -, a empresa nasceu com a intenção de ficar perto dos consumidores. Desde o nome - escolhido por meio de sugestões de futuros clientes - até as últimas iniciativas, como desconto para quem consumir lanche no McDonald's, levaram a empresa a ser eleita em 2011 como uma das mais inovadoras do mundo e do Brasil pela revista americana FastCompany.
 
Nesta semana, em uma operação bem mais corriqueira, a Azul anunciou fusão com a concorrente Trip, criando a Azul Trip S.A. Com a operação, a empresa eleva sua participação no mercado doméstico de 10% para 14%, consolidando-se na terceira posição. As principais concorrentes, TAM e Gol, detêm aproximadamente 40% cada uma. Como parte das estratégias para crescer, além da fusão, a Azul optou nos últimos anos a não "bater de frente" com as líderes.
 
Assim, passou a operar em aeroportos e rotas "menos interessantes" para as outras operadoras, segundo o professor Mauricio Canêdo, do Centro de Economia Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV). Canêdo lembra que esse perfil também é seguido pela Trip. As companhias operam, por exemplo, em aeroportos menos concorridos como o de Campinas (SP), Marília (SP), Ilhéus (BA) e Uberlândia (MG).
 
Outros dois fatores que explicam a rápida ascensão da Azul envolvem a conjuntura econômica e a própria criação da empresa. Em dezembro de 2008, quando a companhia passou a operar seus dois primeiros voos - Campinas-Salvador e Campinas-Porto Alegre -, 4,4 milhões de pessoas viajaram dentro do País. Já em dezembro de 2011, o número saltou para 7,4 milhões, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). No mesmo período, a participação de mercado da empresa pulou de 0,03% para 9,77%. "É natural que uma empresa nova seja mais agressiva e cresça mais rápido que as outras dentro do mercado", diz Canêdo.
 
Mantendo o perfil criativo, recentemente, a companhia lançou um curso específico para formar pilotos e comissários, o Academia de Serviços Azul (ASA) e uma campanha na qual os clientes poderiam enviar fotos de viagens para serem publicadas na página oficial da aérea no Facebook. Na época, a empresa disse que a campanha "Você Faz Parte da História da Azul?" queria contar a história da marca por meio da experiência dos consumidores.
 
No entanto, nem todas as frentes criativas saíram do papel. No início de maio, a Azul anunciou testes, após anos de atraso, para usar televisões com transmissões ao vivo das redes abertas nacionais em suas aeronaves. A expectativa da empresa é que até o fim de junho deste ano 38 jatos tenham monitores individuais para exibir programas, via satélites, sem custo adicional para os passageiros. O serviço havia sido prometido por Neeleman no lançamento da empresa, mas foi preciso desenvolver uma antena compacta para as aeronaves captarem os sinais de TV - o que atrasou esse lançamento.
 
Confira os números da fusão
- A união das companhias aéreas Azul e Trip dará origem a um grupo com receita de R$ 4,2 bilhões em 2012
- A holding passará a ter cerca de 14% do mercado doméstico
- A Azul Trip S.A. nasce com 8,7 mil funcionários operando para 96 destinos com 112 aviões, sendo 62 da Embraer e 50 turboélices da ATR
- Serão 837 voos diários e 316 diferentes rotas 
- As sinergias com a fusão de Azul e Trip não foram divulgadas pelos seus principais executivos, que descartaram demissões de tripulantes e funcionários de solo
- O acordo entre as duas empresas não envolve desembolso de dinheiro. Os atuais sócios da Azul terão 66% da holding e o restante ficará com os acionistas da Trip 

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