sábado, 25 de agosto de 2012

Aeroporto de Juazeiro está entre futuras PPPs do governo

22/08/2012 - Diário do Nordeste

Recursos devem vir com o objetivo de reformar e modernizar o terminal; possibilidade de privatização foi negada

São Paulo/Fortaleza. O Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, localizado em Juazeiro do Norte, deverá fazer parte de um pacote de parcerias público-privadas (PPPs) a ser lançado pelo governo federal na primeira quinzena de setembro. O pacote inclui 15 aeroportos de médio porte (fluxo de 400 mil a 1 milhão de passageiros) espalhados por todo o Brasil, e, conforme informou a Secretaria de Aviação Civil (SAC), consiste em um plano de investimentos para modernizar os terminais por meio de recursos públicos e da iniciativa privada.

O Aeroporto de Juazeiro atende às regiões do Centro-Sul do Ceará, Noroeste de Pernambuco, Alto Sertão da Paraíba e Sudoeste do Piauí FOTO: ELIZANGELA SANTOS

Os detalhes do plano, que incluem de que forma o aeroporto cearense irá receber tais incentivos, ainda seguem em estudo pela própria SAC.

Menor movimentação

De todos, o equipamento do Cariri é o que possui o menor fluxo, calculado em 343 mil passageiros, de janeiro a dezembro de 2011. O terminal é responsável por atender as regiões do Centro-Sul do Ceará, o Noroeste de Pernambuco, o Alto Sertão da Paraíba e o Sudoeste do Piauí. E apenas as companhias Gol e Oceanair atuam no aeroporto. No Nordeste, além dele, estão inclusos, em ordem de movimentação, os equipamentos de Aracaju (SE), Teresina (PI), Ilhéus (BA) e Petrolina (PE).

Privatização negada

Apesar dessa participação da iniciativa privada no setor aeroportuário brasileiro, a possibilidade de novas privatizações ainda parece distante, segundo declarou a assessoria de comunicação da SAC, que negou ontem que isso estivesse sendo estudado pelo governo federal.

A especulação surgiu depois da imprensa paulista divulgar que os mesmos 15 aeroportos estivessem sendo inclusos em um processo de privatização, também por meio de parcerias público-privadas.

Infraestrutura

Além disso, a ministra das Relações Internacionais, Ideli Salvatti, afirmou ontem que a presidente Dilma Rousseff está trabalhando para fechar o pacote de infraestrutura direcionado a portos e aeroportos, a exemplo do pacote lançado na última semana voltado para rodovias e ferrovias brasileiras.

A ministra explicou, acompanhada do secretário de Fomento de Ações de Transportes, Daniel Sigelmann, a deputados da bancada nordestina na Câmara os detalhes de medida provisória que, entre outras ações, cria a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que irá gerenciar e acompanhar as ações e projetos do pacote lançado na semana passada. "A presidenta está terminando a parte também de aeroportos, portos, que tem uma interligação. O pessoal de ferrovia e rodovia, todo esse plano de investimento em logística tem uma intermodalidade muito forte", disse Ideli à bancada composta por nordestinos.

Movimentação

343 mil passageiros foi o fluxo do Aeroporto de Juazeiro do Norte em 2011, o menor dentre todos os terminais incluídos no pacote planejado pelo Governo

Passagens aéreas devem aumentar

Brasília. Os presidentes das duas maiores companhias aéreas do país, TAM e GOL, disseram ontem que a tendência dos próximos meses é de alta nos preços das passagens aéreas.

Segundo Bologna, presidente da TAM, o repasse às tarifas dependem de como o consumidor vai reagir, já que o mercado é aberto e competitivo FOTO: ALEX COSTA

Marco Antonio Bologna, da TAM, e Paulo Sérgio Kakinoff, da Gol, estavam no lançamento da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), órgão que vai unir as cinco maiores empresas do setor.

Segundo os presidentes, o aumento dos custos provocado pela depreciação do real em relação ao dólar terá que ser repassado ao consumidor porque as empresas já fizeram ajustes internos no início do ano e têm pouca margem para mais cortes.

Ajustes

"Uma recuperação tarifária deverá acontecer", disse o presidente da TAM. Bologna não falou em prazos para esse eventual ajuste dos preços das tarifas, mas disse que dificilmente os custos serão reduzidos. Para ele, o setor sofreu um "choque de custos relevante", pois a valorização do dólar impacta os custos das empresas. Além da variação cambial, o aumento do preço da querosene da aviação e a elevação das tarifas aeroportuárias e de navegabilidade afetaram o balanço das empresas. Juntas, TAM e GOL tiveram prejuízo de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre.

O presidente da GOL, Paulo Sérgio Kakinoff, disse que o aumento de tarifas é questão de tempo. "O setor não pode absorver, por longos períodos, um cenário como esse", disse Kakinoff. "É uma questão de tempo para se ver na posição inevitável de aumentar as tarifas."

Apesar da pressão sobre os custos, ele disse que ainda não há nenhuma decisão tomada sobre o assunto.

Repasse ao consumidor

Segundo Bologna, o repasse às tarifas dependem de como o consumidor vai reagir, já que o mercado é aberto e competitivo. O aumento do valor da tarifa tende a reduzir o número de passageiros, segundo dados do setor.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, também disse que a companhia deve registrar um resultado melhor no segundo semestre, mas ainda insuficiente para voltar ao lucro. Kakinoff disse que a Gol trabalha internamente para reverter esse quadro por meio da redução de custos, sinergia e maximização de receitas. Kakinoff participa do "Aviation Day", em Brasília.

"No caso específico da Gol, nós prevemos um resultado melhor no segundo semestre do que no primeiro, como produto da redução e racionalização de voos e redução do quadro ligado diretamente a essa operação. Temos normalmente uma demanda maior no segundo semestre e teremos também o efeito da racionalização dos custos sendo verificados nesse período", disse.

"Mas como não há também nenhuma projeção de valorização do real frente ao dólar ou ainda de redução significativa do querosene de aviação, não podemos ainda falar em retorno de lucratividade. Teremos algo entre prejuízo e equilíbrio, variando mês a mês em razão da demanda", acrescentou. O executivo disse que o setor viveu nos últimos meses uma conjunção de fatores que pode ser classificada como a mais adversa da história da aviação e da Gol.

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