segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Compartilhamento de voos entre Azul e Trip deve começar em até 2 meses

11/08/2012 - O Estado de São Paulo

MARINA GAZZONI

As companhias aéreas Azul e a Trip, que anunciaram a fusão das operações no fim de maio, planejam iniciar o compartilhamento de voos (code-share) em até dois meses. O pedido foi feito à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no último dia 26 e está em avaliação. Isso significa que, após a aprovação do órgão, os clientes poderão comprar passagens da Trip no site da Azul e terão facilidades de conexão em voos das duas empresas.

Pela regra do setor, a Anac tem 30 dias para avaliar o pedido. Mas a greve dos funcionários das agências reguladoras fez as empresas trabalharem com um prazo maior para o início do code-share. A operação precisa ser comunicada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas não depende da aprovação do órgão por ser considerada "reversível".

A união de Azul e Trip formará uma empresa que atende 99 aeroportos com 115 aviões e prevê faturar R$ 4,2 bilhões em 2012. As empresas somaram 14,75% de participação no mercado de voos domésticos em junho.

O compartilhamento de voos é um passo importante na integração das duas empresas. "Um passageiro de Campinas poderá ir até Ji-Paraná (RO), com escala em Cuiabá (MT), em voos da Azul e da Trip comprando uma única passagem e fazendo check-in e despachando a bagagem só uma vez", disse o presidente da Trip, José Mario Caprioli.

O code-share, no entanto, será do tipo "unilateral". Ou seja, a Trip não venderá passagens da Azul - só o contrário. "A plataforma tecnológica que usamos só permite a parceria em um sentido", explica o diretor de marketing da Azul, Gianfranco Beting.

Outra decisão já tomada é escolha da plataforma tecnológica: o sistema de TI da Azul, da empresa Navitaire, será implementado pela Trip após o início do compartilhamento de voos.

A marca da nova empresa ainda não foi escolhida. "Mas já decidimos que vamos ter uma só. É mais econômico", diz Capriolli. As empresas contrataram uma pesquisa para avaliar qual nome é mais forte - Azul ou Trip. A decisão será anunciada em até 30 dias, segundo Beting.

Integração. As decisões sobre a integração das empresas são discutidas em um comitê que se reúne semanalmente. Além de Capriolli, também participam das reuniões o vice-presidente financeiro da Azul, John Rodgerson, e consultores da McKinsey, contratada para auxiliar na fusão.

A integração das malhas é um dos processos que dará os principais ganhos de sinergia para as duas empresas. Os horários de voos serão definidos para permitir que o maior número possível de passageiros de uma empresa alimente os voos da outra.

Até agora, Azul e Trip não fizeram mudanças significativas na malha. A Azul, por exemplo, decidiu que começará a voar para Dourados (MS) considerando o potencial de conexões com voos da Trip na região, diz Beting. "Mas não faremos grandes ajustes de malha antes da aprovação do Cade", disse Caprioli.

Tanto os executivos da Azul quanto os da Trip não quiseram informar uma previsão de data para conclusão da fusão. Há, no entanto, uma expectativa de que as duas empresas cheguem até o fim do ano com uma única estrutura societária. Hoje, elas são duas empresas controladas pela holding Azul Trip.

O Cade pediu esclarecimentos sobre uma eventual concentração no mercado regional, disse o diretor jurídico da Azul, Renato Covelo. "Respondemos que existe espaço nos aeroportos para qualquer empresa que quiser voar para esses destinos."

O caminho para fazer das duas empresas uma só continua mesmo após a aprovação do Cade. Elas só terão um único CNPJ quando seus Certificados de Homologação de Empresas Aéreas (Cheta) forem unificados. "Isso depende de critérios técnicos e a unificação pode levar cerca de um ano", diz Caprioli.

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