terça-feira, 14 de agosto de 2012

Embraer aposta firme no mercado de jatos de luxo

14/08/2012 -  O Globo

De olho nos milionários brasileiros, empresa lança Lineage 1000

GILBERTO SCOFIELD JR.
Enviado especial

DIVULGAÇÃO (Veja o vídeo)
 
Sofisticação. Interior da aeronave que custa pelo menos US$ 53 milhões: a inspiração veio de uma suíte
do hotel parisiense George V

-SÃO JOSÉ DOS CAMPOS- Quando a 9ª Latin American Business Aviation (Labace), a maior feira de jatos executivos da América Latina, abrir as portas amanhã no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o público brasileiro terá a chance de ver de perto uma suíte do hotel parisiense George V, só que com asas. Explique-se: pela primeira vez no país, a fabricante brasileira de aeronaves Embraer estará exibindo sua menina dos olhos no disputado mercado de aviões executivos de longa distância e alto luxo, o jato Lineage 1000, capaz de voar 8.334 quilômetros com até 19 passageiros ao preço (inicial) de US$ 53 milhões. É a maior e mais cara aeronave produzida pela fabricante de aviões de São José dos Campos: um gigante com 36,2 metros de comprimento e 28,7 metros de envergadura.

Engana-se quem pensa que o preço está além dos padrões brasileiros. Os executivos da Embraer estão de olho na lista de 36 bilionários (segundo a revista americana "Forbes") e 165 mil milionários brasileiros (compilada pela consultoria Capgemini, em parceria com o RBC Wealth Management). Enfim, gente que já tem de tudo, menos um jato luxuoso de longa distância com 70 metros quadrados de área, muito próximo da suíte executiva do George V, com seus 74 metros quadrados.

EMPRESA TEM 15% DO MERCADO
O mercado brasileiro acena com um crescimento extraordinário. Segundo levantamento da empresa JetNet e da Embraer, o Brasil foi o segundo país que mais comprou jatos executivos nos últimos três anos: 180 aviões, atrás apenas dos EUA, com suas 1.025 encomendas. No entanto, bem acima do Reino Unido, mercado que registrou a aquisição de 80 aeronaves. Hoje o Brasil tem 719 jatos executivos em operação, número ligeiramente inferior ao do México, com 764 aeronaves. Mas o futuro é promissor: nos próximos dez anos, serão vendidos entre 450 e 600 novos aviões executivos no mundo, um negócio de US$ 18 bilhões. Nas contas da Embraer, o Brasil vai ultrapassar o México em 2014. A empresa tem hoje 15% do mercado brasileiro de jatos executivos

— Nossa participação vai aumentar este ano porque os mercados dos EUA e da Europa, por conta da crise, estão crescendo bem menos. E com os investimentos em aeroportos no país, por conta de sua grande extensão territorial, o mercado nacional traz muitas oportunidades — diz Marco Túlio Peregrini, vice-presidente de operações para aviação executiva da Embraer.

Quem for à Labace vai perceber que a briga pelo mercado brasileiro é feroz. Estarão ali os maiores concorrentes do Lineage 1000 — o A318 Elite e o ACJ, da Airbus; o BBJ1, da Boeing; o G550, da Gulfstream (o bilionário Eike Batista tem um); o Falcon TX, da Dassault e o Global XRS, da Bombardier; entre outros.

O Lineage 1000 foi concebido em 2006 a partir da plataforma do jato comercial EMB-190, mas a primeira entrega de um jato desse porte, em escala comercial, ocorreu apenas em 2009, para a HE Aamer Abdul Jalil Al Fahim, de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. De lá para cá foram vendidos 13 jatos. Um deles está sendo usado pela presidente Dilma Rousseff. Foi cedido pela Embraer enquantos os dois jatos EMB-190 comprados pela Presidência são modificados na fábrica de São José dos Campos.

SUCESSO COM O LEGACY DESDE 2005
A Embraer não comenta sobre investimento no desenvolvimento do Lineage, mas não deve estar distante dos US$ 250 milhões, segundo o mercado. A empresa só passou a encarar com mais seriedade o setor de jatos executivos a partir de 2005, com o sucesso de seu modelo Legacy. De lá para cá, buscou compensar o tempo perdido com uma plataforma de lançamentos agressiva. A empresa tem hoje sete linhas de jatos executivos, dos pequenos Phenom ao gigante Lineage, passando pelos jatos Legacy, intermediários. Depois de ampliar o leque de jatos tradicionais, aposta agora no topo do mercado.

— O dono de um jato desses tem um perfil de quem já tem tudo o que precisa e está em busca não apenas de autonomia de voo, mas de conforto e sofisticação. — diz Ricardo Carvalhal, executivo de estratégia de produto para jatos executivos da Embraer.

No segundo trimestre de 2012, a Embraer entregou 35 aeronaves comerciais e 20 aeronaves executivas, sendo 17 jatos leves e três jatos grandes. Com isso, a receita líquida da empresa somou R$ 3,384 bilhões no período de abril a junho deste ano. O lucro líquido foi de R$ 114,8 milhões. O resultado foi influenciado pela variação do câmbio no período, informou a companhia.

Números
15% É A FATIA DA EMBRAER
No mercado de jatos. Ela espera crescer com o investimento no Lineage

250 MLHÕES DE DÓLARES
É o total que a empresa investiu no novo jato executivo de alto luxo

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