sexta-feira, 22 de março de 2013

Azul diz estar ‘pronta’ para Congonhas e pretende ligar as principais capitais

20/03/2013 - Folha de São Paulo

Presidentes da TAM e da Gol, que seriam as maiores prejudicadas com a mudança das regras que permitiria a entrada da rival no aeroporto paulista, criticaram ontem a proposta da SAC e se manifestaram contra medidas intervencionistas no setor aéreo
Marina Gazzoni

FABIO MOTTA/ESTADÃO-11/10/2012

Mudança. Avião da Azul no aeroporto Santos Dumont, no Rio: empresa planeja expandir frota

A companhia aérea Azul está pronta para entrarem Congonhas e deve fazer voos para as principais capitais brasileiras partindo do aeroporto localizado no centro de São Paulo, afirmou ontem o diretor de comunicação e marca da companhia, Gianfranco Beting. "Temos a expectativa de que efetivamente Congonhas seja aberto para um maior número de companhias aéreas e já estamos nos posicionando para aproveitar essa oportunidade", disse Beting, durante o evento Fórum Panrotas. Segundo ele, o plano de expansão da capacidade da empresa está atrelado à entrada em Congonhas e a voos para novas cidades. Azul e Trip, que anunciaram a fusão no ano passado, têm uma frota de cerca de 120 aviões. A empresa receberá 16 unidades neste ano, mas poderá usar os novos modelos para substituir aviões mais antigos da Trip.

A entrada da companhia no aeroporto paulista, porém, tem provocado polêmica. Uma proposta da Secretaria de Aviação Civil (SAC) prevê novas regras para a concessão de slots (horários de pouso ou decolagem) em Congonhas, usando critérios como regularidade, pontualidade, participação de mercado e realização de voos regionais.

Pela regra atual, novas companhias entram no aeroporto apenas se as empresas que já estão lá não cumprirem índices de regularidade. Esses horários vão majoritariamente para as empresas que já atuam no aeroporto, que têm direito a ficar com 80% desses slots. Como critério proposto pela SAC, Gol e TAM, que detêm 95% dos slots em Congonhas, perderão esse espaço para a Azul, que realiza apenas um voo semanal a partir do aeroporto. Apesar de toda a polêmica que essa proposta vem provocando, o Estado apurou que o governo está realmente determinado a abrir espaço para a Azul no aeroporto paulista.

Críticas. Os presidentes da TAM e da Gol, que seriam as maiores prejudicadas por uma eventual mudança, criticaram publicamente ontem, pela primeira vez, a proposta do governo – até agora, apenas a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) vinha se posicionando sobre o assunto.

Marco Antonio Bologna, da TAM, disse que alterações bruscas em um aeroporto impedem o planejamento feito pelas companhias aéreas. "Regras estáveis são importantes para planejamento de frota e investimento. Nossa proposta como Abear é ter estabilidade da oferta. Isso é importante para nós que já estamos no aeroporto (de Congonhas) e para os novos entrantes, que deixam de ser novos entrantes no dia seguinte", disse. Gol e TAM também se manifestaram contra medidas intervencionistas no setor. "O estímulo à concorrência não deve ser um desestímulo a conquistas do setor nos últimos anos", disse Paulo Kakinoff, presidente da Gol.

"Todo mundo tem de trabalhar. A gente não ganhou nada, a gente conquistou (nosso espaço) com muito trabalho e dedicação. No caso da TAM, o comandante Rolim (Amaro, fundador da TAM) fez uma opção de ir para Congonhas quando ninguém voava de lá. Ele mesmo falava: 'Já comi muita poeira aqui'", disse Bologna.

As empresas defendem que a abertura de Congonhas a novas empresas seja feita pela expansão da capacidade do aeroporto. Em reunião com a presidente Dilma Rousseff na semana passada, os representantes do setor pediram que os slots usados para a aviação executiva em Congonhas sejam destinados às linhas regulares. Hoje, o aeroporto opera com capacidade de 34 movimentos por hora, mas quatro são usados pela aviação executiva.

Oficialmente, a própria Azul diz defender a posição da Abear. "O slot é um direito da empresa que está operando e não pode ser simplesmente tomado. Não gostaria de imaginar um cenário em que o slot é recolhido e redistribuído. Não concordamos com isso", disse Beting, sem especificar qual seria a fórmula adequada para viabilizar a entrada da Azul em Congonhas. "Vamos seguir o que for decidido. Não cabe a nós fazer juízo de valor."

● Disputa
MARCO ANTONIO BOLOGNA
PRESIDENTE DA TAM
"Todo mundo tem de trabalhar. A gente não ganhou nada, a gente conquistou (nosso espaço) com muito trabalho e dedicação. No caso da TAM, o comandante Rolim fez uma opção de ir para Congonhas quando ninguém voava de lá. Ele mesmo falava: 'Já comi muita poeira aqui'."

PAULO SERGIO KAKINOFF
PRESIDENTE DA GOL
"O estímulo à concorrência não deve ser um desestímulo a conquistas do setor."

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