segunda-feira, 10 de junho de 2013

Neeleman pode se associar ao BNDES em oferta pela TAP

10/06/2013 - Valor Econômico

Por Assis Moreira

O empresário David Neeleman, controlador da companhia aérea Azul, quer definir participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fazer uma oferta de compra pela TAP, uma das principais empresas do programa de privatização português, segundo fonte do governo brasileiro.

O Valor apurou que o empresário está em conversas com o BNDES sobre a necessidade de capital para a operação, com pelo menos duas hipóteses: pedir à instituição que entre como sua sócia para comprar uma participação na TAP, ou que o banco entre com o financiamento da aquisição.

O governo brasileiro "gostaria que uma empresa brasileira se interessasse" pela privatização da aérea portuguesa, inclusive pela rede ampla de ligações com as principais cidades brasileiras.

No entanto, a fonte diz que o Palácio do Planalto "não está forçando a mão" para que alguém entre na operação. E avisa que, em todo caso, o projeto da Azul precisará ser muito bem embasado e a operação vai demandar profundo estudo técnico por parte do BNDES.

Autoridades portuguesas querem discutir a privatização da TAP hoje com a presidente Dilma Rousseff, em sua visita a Lisboa. Os portugueses têm insistido para o governo brasileiro dar "sinais de confiança" ao país, que atravessa uma das piores crises econômicas de sua história. E isso passaria por uma participação brasileira mais ativa nas privatizações.

A Avianca, do empresário Germán Efromovich, de passaportes brasileiro, boliviano e polonês, não está participando da atual rodada de discussões. Numa primeira tentativa, quando viu que nenhuma outra companhia fazia proposta pela TAP, a Avianca baixou sua própria oferta, rejeitada pelo governo português.

A TAP tem uma dívida estimada em € 1,3 bilhão e precisa desesperadamente ser capitalizada. No ano passado, o grupo fechou com prejuízo de € 42,2 milhões, ante € 6,8 milhões em 2011.

Entre alguns membros do setor privado em Lisboa, os comentários são de que os brasileiros exageram na desvalorização dos ativos portugueses.

Um exemplo foi a privatização da operadora aeroportuária portuguesa ANA - Aeroportos de Portugal e suas subsidiárias. O consórcio formado pelas brasileiras CCR e Odebrecht Transport foi inferior em € 1 bilhão em relação à proposta vencedora, da francesa Vinci, que pagou € 3,080 bilhões.

Ontem, em Lisboa, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse a jornalistas que se empresas brasileiras quiserem participar das privatizações portuguesas "vamos examinar ajuda. Mas primeiro é preciso manifestação de interesse das empresas", afirmou.

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