quarta-feira, 28 de agosto de 2013

TAM demite pelo menos 400 pilotos, copilotos e comissários

28/08/2013 - Tam

Meta é de 811 cortes, que inclui quem aderiu a programa de demissão voluntária
LINO RODRIGUES
lino.rodrigues@sp.oglobo.com.br

michel filho/arquivo

Ajuste. Segundo a TAM, as demissões são necessárias por causa da queda na oferta de voos e ao aumento de custos

-SÃO PAULO- A TAM, empresa aérea do grupo chileno Latam Airlines, demitiu ontem pelo menos 400 funcionários, entre comandantes (pilotos), copilotos e comissários de bordo. No início da noite, a TAM confirmou, por meio de comunicado, as demissões, mas alegou que "os números finais (dos cortes) serão divulgados quando do encerramento do processo", o que deve ocorrer ainda esta semana. Segundo a empresa, o ajuste no quadro de pessoal está sendo realizado para atingir a meta de 811 cortes, medida que permitiria à companhia se ajustar à queda de 12% na oferta de voos no país e fazer frente ao aumento de custos. O alto índice de adesões ao programa de demissão voluntária (PDV) e de licença não remunerada, segundo a TAM, ajudaram a reduzir o número de dispensas.

"Com o ajuste, a companhia vai adequar o quadro de comandantes, copilotos e comissários à realidade operacional em vigor na empresa", diz o comunicado da TAM.

BARRADOS NO PRÉDIO
Pela manhã, enquanto os demitidos esperavam embaixo da marquise na entrada do prédio da companhia para serem comunicados da dispensa e prestarem o exame médico demissional, a TAM divulgou nota afirmando que seu PDV havia atingido 50% dos 811 postos de trabalho previstos para serem extintos. O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que tinha acordado com a TAM o corte dos trabalhadores, informou que não foi comunicado e que seus diretores estavam em uma audiência pública em Brasília. Mas, também em nota, garantiu que vai fiscalizar o cumprimento da Convenção Coletiva e do acordo firmado junto com o Ministério Público do Trabalho (MPT).

A companhia aérea montou uma estrutura com recepcionistas e seguranças, na Acadêmia de Serviços Rolim Amaro, na zona Sul paulistana, para evitar manifestações dos aeronautas que foram ao local sem saber que estavam na lista de dispensados. Na convocação da empresa, todos participariam de uma reunião de trabalho. Muitos foram surpreendidos com a demissão.

Em clima de revolta e tristeza, vários aeronautas demitidos reclamaram da forma "arbitrária" como foram dispensados e o tratamento dado pela empresa aos funcionários.

— Fomos convocados para uma reunião de trabalho. A gente desconfiava que seria demitido, porque desde o dia 26 estávamos de sobreaviso. Acho que faltou transparência, e a empresa foi arbitrária ao impedir que entrássemos livremente no prédio — disse um dos demitidos, o comandante Almir Fernandes, com cinco anos de TAM e 36 anos de aviação.

— Nós dirigimos um avião de US$ 100 milhões, e a empresa desconfia que vamos fazer alguma coisa contra ela — lamentou Hamilton Muller, piloto com 32 anos de carreira e cinco anos e meio de TAM.

— É esse o padrão Latam de demissão? Não sei como ainda não aconteceu um acidente devido a tensão vivida pelos tripulantes dos voos — questionou uma comissária de bordo com mais de oito anos de empresa, que pediu para não ser identificada, salientado o alto grau de tensão vivido pelos funcionários por causa da ameaça de demissão em massa. ●

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