segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Aeroporto da Pampulha volta a registrar crescimento do número de voo

16/09/2013 - Hoje em Dia - MG

Janaína Oliveira 

wesley rodrigues/hoje em dia

Aeroporto da Pampulha volta a registrar crescimento do número de voos
O fluxo de passageiros na Pampulha saltou de 454 mil para 577 mil entre 2012 e 2013

Pela primeira vez, após quase uma década da transferência dos voos do Aeroporto da Pampulha para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, Confins registra queda no número de embarques, enquanto no terminal central de Belo Horizonte as operações decolam. No primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2012, o movimento em Confins caiu 8%, um recuo de 6,2 milhões para 5,7 milhões de usuários, ou seja, meio milhão de passageiros a menos. Na contramão, o terminal vizinho à lagoa viu seu fluxo aumentar de 454,4 mil para 577,9 mil pessoas, alta de 27%.

"A queda em Confins é resultado do encerramento das operações da Webjet, comprada e fechada pela Gol, e da fusão da Trip com a Azul, o que resultou no corte de operações. Também pesou o encarecimento das passagens", analisa o piloto e consultor do setor aéreo Lucas Coacci. Já na Pampulha, o aumento foi provocado, principalmente, pelos voos lançados pela Azul/Trip de Belo Horizonte para Campinas e para Guarulhos.

A linha, sem escalas, partindo da Pampulha com destino a São Paulo, via Guarulhos, havia sido extinta em 2005, quando os voos do terminal foram remanejados para Confins, então um elefante branco. Mas hoje, com a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o passageiro da Pampulha passou a contar com quatro frequências entre as capitais mineira e paulista.

A aprovação da Anac foi vista por alguns representantes do setor como um indicativo de que o órgão regulador pretende dar sinal verde a novos voos da Pampulha para outras capitais do país. A próxima conexão pode ser com o Rio de Janeiro, através da Brava Linhas Aéreas, com sede em Porto Alegre. A companhia gaúcha pleiteia uma rota partindo do Santos Dumont, na área central da capital fluminense, para Varginha, no Sul de Minas, com chegada na Pampulha.

Aviação regional

Simultaneamente, o governo de Minas trabalha para cortar as asas do terminal de Belo Horizonte. Um estudo, encomendado à empresa KED Consultants, traça proposta para que a Pampulha seja essencialmente focada na aviação executiva e regional. Autorização de pousos e decolagens de voos interestaduais e internacionais, só para Confins.

Segundo o subsecretário de Investimentos Estratégicos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Luiz Antônio Athayde, a intenção é definir claramente o papel de cada terminal para os potenciais interessados no leilão de Confins.

"A conveniência não é ideal para a estratégia de criar empregos e projetar o Estado como uma porta de entrada no Brasil", defende.

Uma das candidatas ao certame, a Ecorodovias, que se juntou à Fraport, operadora de aeroportos alemã, já declarou que "precisa ficar claro o que vai acontecer com a Pampulha antes da licitação".

Ainda de acordo com Athayde, o estudo será entregue à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em breve. A estatal informou que acompanha os trabalhos, com uma inclinação favorável à proposta do governo mineiro.

Já a Anac informou que tramita na agência um processo relacionado à Pampulha. "Esse processo resulta de uma Nota Técnica da Anac que questiona a competência da Infraero em, ao firmar com o Governo de Minas um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), vocacionar o aeroporto (classificá-lo como regional), limitando as operações a um determinado tipo de aeronave, sem consulta à Anac", diz a nota.

Segundo a agência, o TAC não apresenta critérios técnicos para limitar a operação a uma determinada aeronave ou a um determinado número de assentos. Hoje, somente aviões com até 70 lugares podem operar na Pampulha.

Usuários se queixam da distância e saturação

Contar com uma rota ligando Pampulha a Santos Dumont, no Rio, Congonhas, em São Paulo, e Brasília seria sinônimo de economia de tempo e dinheiro, além de mais conforto, para executivos e empresários. "A maioria dos clientes está nas grandes cidades. Seria excelente se tivéssemos pelo menos uma opção de viagem mais curta, ainda mais com o aeroporto de Confins tão saturado e em fase de obras", afirma Siomara Machado, gerente de serviços da Totvs, companhia de tecnologia. Como viaja toda semana, ela perdeu a conta de quantas vezes ficou sem lugar para sentar enquanto esperava por seu voo no aeroporto internacional.

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