segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Marcelo Flach: presidente da TAP vê na alta no dólar oportunidade para trazer mais visitantes para o Brasil

01/09/2013 - Zero Hora

Entrevista

Com exclusividade, Fernando Pinto fala sobre o mercado mundial de aviação e a situação da companhia que preside há 13 anos



Marcelo Flach: presidente da TAP vê na alta no dólar oportunidade para trazer mais visitantes para o Brasil Carlos Macedo/Agência RBSFernando Pinto veio ao Estado para receber o Troféu Guri,
homenagem a gaúchos de destaque entregue durante a Expointer
Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

No Estado para receber o Troféu Guri, homenagem concedida pela Rádio Gaúcha durante a Expointer a gaúchos que se destacam em suas áreas de atuação, o presidente da TAP Portugal, Fernando Pinto, agradeceu ao povo do Estado pelo o sucesso da voo direto Porto Alegre-Lisboa, com taxa de ocupação acima de 80% - proporção considerada rentável.

Em sua passagem de 24 horas pela capital, o comandante da companhia aérea estrangeira que mais voa para o Brasil, conversou comigo durante quase uma hora, na manhã de quarta-feira passada, no Hotel Plaza São Rafael. Durante a entrevista, falou sobre a companhia, da qual está à frente há 13 anos, e do mercado mundial de aviação A seguir, confira o principais trechos.

Ligação com a Europa

Enquanto os voos de Lisboa para capitais do Nordeste registram mais passageiros estrangeiros, a ligação direta com Porto Alegre ainda tem a presença mais forte de gaúchos.

- É resultado da ligação do povo do Rio Grande do Sul com países europeus - afirma Fernando Pinto.

Perguntado se o voo direto que a American Airlines lançará de Porto Alegre para Miami a partir de 21 de novembro não poderia tirar passageiros da TAP que pretendem viajar para o Exterior, Fernando Pinto entende que isso ajuda a movimentar o mercado:

- O mercado ganha opções e se mantém vivo. O fato de a TAP operar um voo direto para Porto Alegre certamente influenciou na decisão para criar um novo voo.

A virada do dólar

O aumento do dólar em relação ao real (que leva junto o euro), encarecendo viagens internacionais para brasileiros, pode não prejudicar completamente a operação da companhia. Com o Brasil ficando mais barato para quem vem com dólar ou euro, a tendência é mais estrangeiros virem para cá, o que manteria o fluxo de passageiros nos aviões.

- Turistas estrangeiros, em geral, apontam o Brasil como caro. Isso pode mudar agora - acrescenta.

Com o dólar em novo patamar, a companhia também ganha na hora de converter em moeda estrangeira os pagamentos que recebe em real aqui no Brasil.

Frota à espera do A350

Cerca de 80% da dívida da TAP, no total de 1 bilhão de euros, está relacionado ao financiamento para a compra de aeronaves. A empresa optou por ter aviões próprios em vez de utilizar leasing (arrendamento), modalidade preferida pelas companhias brasileiras, por exemplo. A chegada de 12 Airbus A350 ficou agora para 2017. O avião substituirá com vantagem os A340 e A330, que consomem, respectivamente, 35% e 20% mais combustível do que o A350. Uma diferença e tanto.

Privatização em Portugal

Por determinação da União Europeia, países integrantes do bloco não podem ter companhia aérea estatal. Por isso, e em razão das dificuldades financeiras enfrentadas por Portugal, o país venderá a TAP. O processo andou no ano passado, com o grupo proprietário da Avianca sendo o único selecionado.

Contudo, o prazo terminou e o governo considerou que não havia conseguido analisar toda a proposta, cancelando o processo. Agora, deve ser retomado até o fim do ano, com a busca de novos interessados.

No Brasil, informações dão conta de que acionistas da Azul estariam interessados em comprar a TAP, o que não é confirmado por nenhum dos lados.

Crise europeia

Apesar do prejuízo de 111 milhões de euros no primeiro semestre, a receita da companhia aérea aumentou 4,4% no período, somando 974 milhões de euros. O crescimento na venda de passagens ocorreu de forma mais acentuada fora de Portugal.

Pesaram no prejuízo cerca de 13 milhões de euros resultados de variações cambiais e25 milhões porque o Tribunal Constitucional determinou que a companhia pagasse o 14º salário dos funcionários. O governo havia liberado estatais desse pagamento em razão da crise econômica no país.

- Sem esses custos, o prejuízo teria sido menor - afirma o presidente da TAP, Fernando Pinto, que neste domingo, dia 1º de setembro, estará no programa Mãos e Mentes, apresentado por Tulio Milman, na TVCom, às 23h, contando passagens sobre a Varig, companhia que presidiu no fim dos anos 1990.

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