quarta-feira, 11 de junho de 2014

Novo terminal em Viracopos oferece conforto e rapidez a turista

10/06/2014 - Correio Popular - Campinas

Os turistas estrangeiros que desembarcam em Viracopos encontram um terminal de passageiros moderno e que, se não olharem pelas janelas, não perceberão que o aeroporto ainda está em obras.

No saguão de embarque, cadeiras e espreguiçadeiras de couro estão instaladas; amplas janelas de vidro deixam ver as obras e também a grande área de cerrado junto do aeroporto.

O terminal, que começa a funcionar parcialmente, surpreende pelo tamanho da construção — são 145 mil metros quadrados.

A iluminação natural é a tônica do novo terminal. Ontem, quando o Correio visitou o píer A, funcionários ainda trabalhavam para instalar carpete no acesso à ponte de embarque — um piso emborrachado preto tinha sido instalado, mas a concessionária não gostou e decidiu trocar por carpete cinza.

Os check-ins ainda não estão instalados, mas um modelo de como serão os balcões está na área de desembarque.

Os banheiros nem de longe lembram aqueles que funcionavam no antigo terminal há dois anos. Papeleiras eletrônicas, torneiras automáticas são o diferencial em uma área de paredes com detalhes em vermelho.

A operação de embarque e desembarque mudará radicalmente. Os passageiros saem da aeronave diretamente nas pontes (os fingers) e entram no terminal.

Não precisarão mais fazer o trajeto da aeronave ao terminal em ônibus, como ocorre atualmente. Quando estiver concluído, o terminal terá 28 pontes.

A Receita Federal e a Polícia Federal já foram testadas na agilidade da operação de liberação dos passageiros com as seleções da Costa do Marfim, Argélia, Japão.

A Receita Federal levou 14 minutos para processar 80 passageiros e a Polícia Federal, 12.

Entre desembarcar, dar entrevistas no pátio, passar pelo tapete verde colocado entre a aeronave e a entrada do terminal (passando por um painel em homenagem as seleções), pela aduana, ouvir chorinho e comer quitutes disponibilizado em um lounge montado no terminal, autografar uma bola e a camisa da seleção e sair do terminal, o tempo foi de uma hora.

 "É um tempo excelente", disse diretor de operações da Aeroportos Brasil Viracopos, Marcelo Mota.

Atualmente, a Polícia Federal está operando com dois balcões e quatro posições, mas depois da Copa, quando iniciar a operação de rotina, serão 12 balcões com 24 posições.

A implantação das lojas previstas no novo aeroporto só iniciarão as instalações depois do dia 20 de julho, informou o diretor comercial Aluízio Margarido.

Por enquanto, apenas as lojas dutyfree estão sendo implantadas e a montagem, quase finalizada.

Isso ocorre porque o alfandegamento (a liberação pela Receita Federal) demora em média 30 dias para ser aprovado.

 "Assim, quando o píer A entrar em operação de rotina, depois da Copa, as lojas dutyfree estarão funcionando", afirmou. O início do funcionamento das demais lojas está relacionado ao início da transferência das aéreas.

Viracopos é o pulmão aéreo da Copa do Mundo

O Aeroporto Internacional de Viracopos está assumindo a função de pulmão de toda a malha aérea brasileira durante a Copa do Mundo e será o aeroporto alternado especialmente para os voos da região Sudeste. Isso significa que o terminal de Campinas ficará responsável por receber os voos em caso de fechamento de algum aeródromo no período.

A concessionária de Viracopos diz que está pronta para atender aos 116 voos charters (fretados) já confirmados, dos quais 50 deles das seleções que disputarão o mundial e que ficarão hospedadas na região, além de outros 38 voos executivos, que estão em análise.

A informação é do diretor de operações da Aeroportos Brasil Viracopos, Marcelo Mota, que ontem acompanhou a reportagem do Correio em um tour ao píer A do novo terminal de passageiros — o primeiro dos três píers a ficar pronto e que receberá exclusivamente as seleções da Copa do Mundo em oito voos internacionais e outros 42 deslocamentos domésticos das equipes e os voos charters.

Das sete seleções que ficarão hospedadas na região, apenas Rússia, Nigéria e Honduras não desembarcam em Campinas, mas todas utilizarão Viracopos para os deslocamentos dentro do País.

No final de semana, Viracopos por pouco não se tornou o aeroporto alternado para as seleções da Itália, Bósnia e Holanda no sábado e da Espanha no domingo.

Os aeroportos de Guarulhos, onde desembarcaram as três primeiras, e de Curitiba, que recebeu os espanhóis, ficaram fechados por causa de neblina mas foram logo liberados. Se o fechamento durasse mais, teriam sido transferidos para Campinas.

A opção por tornar Viracopos o aeroporto alternado da Copa ocorre porque este aeroporto tem o melhor índice de operacionalidade entre os terminais do País. É um aeroporto que dificilmente fecha por causa de condições climáticas.

Com o pátio de aeronaves concluído — 28 novas posições fixas e mais sete remotas — e homologado, Viracopos está pronto para receber voos que tenham necessidade de ser alternados, especialmente os da região Sudeste.

A nova área de pátios tem 400 mil metros quadrados, equivalente a cem campos de futebol.

Os voos charters confirmados trarão turistas da França, Argélia e Estados Unidos no píer A.

Somente a Argélia terá sete voos, com 2 mil argelinos chegando a Campinas para acompanhar a seleção daquele país, que está hospedada em Sorocaba, e acompanhar a equipe nos jogos pelo País. Os jogadores argelinos chegaram em um Airbus A330-200 no domingo.

Já desembarcaram por Viracopos as equipes da Costa do Marfim e Japão. Nigéria chega hoje, em Guarulhos, e virá até Campinas em ônibus.

Jogadores que estão chegando ao aeroporto seguem um ritual. Descem pela porta dos fundos da aeronave, param ao lado para entrevistas e fotos e depois seguem por um tapete verde, de cem metros, até a entrada do terminal.

Além disso passam por painel pintado pelo artista Paulo Consentino, que recria a comemoração de um gol de um dos principais jogadores do time, Sofieane Feghouli, do Valência da Espanha.

O painel ainda contém representações de jogadores da Costa do Marfim, Japão, Portugal e Rússia.

Dali passam pela Polícia Federal e Receita Federal e são recebidos em um lounge montado pela concessionária com uma mesa de petiscos e um grupo de chorinho.

Nesse espaço são convidados a assinar uma bola e a camiseta do time, que a partir de quinta-feira ficarão expostos no antigo terminal e, finalizada a Copa, estarão em uma exposição permanente no novo terminal.

Entre as seleções que chegaram, somente a equipe da Argélia não assinou a camiseta, porque a concessionária não conseguiu adquirir uma no Brasil. Mas a Embaixada argelina se encarregou de providenciar uma com a assinatura de todos os jogadores.

Obras que faltam

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos está fazendo um inventário de todas as obras que ainda precisam ser feitas, o número de pessoas necessário para executá-las e a data em que entregará o novo terminal de passageiros pronto, para encaminhar à Secretaria de Aviação Civil (SAC) e ter, assim, um cronograma definitivo das obras. Elas deveriam ter sido concluídas em 11 de maio.

Um mês depois, ainda faltam 8% para cumprir o contrato.

 "Achávamos que seria possível cumprir todas as obrigações contratuais, mas encontramos dificuldades no meio do caminho, como a necessidade de movimentação muito grande de terra e os embargos. Tivemos 40 dias de obras paradas e, se não fosse isso, teríamos terminado no tempo", afirmou o diretor de operações, Marcelo Mota. Três trabalhadores morreram durante a execução das obras.

Sem o cronograma definitivo, o que existe é um plano de transferência de voos aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que poderá ainda ser alterado.

Nesse cronograma está previsto que a TAP passará a operar no novo terminal em agosto (o dia não está estabelecido), a Gol e a TAM em 18 de agosto e a Azul, em 5 de outubro. "Essas datas terão ainda que ser confirmadas com o plano de execução de obras", disse.

 "Estamos fazendo uma obra em tempo recorde. A Arábia Saudita, que construiu um aeroporto com capacidade semelhante ao nosso, é considerado o recorde em tempo de obras e levou 33 meses. Nós estamos fazendo em 22 meses, incluindo o tempo de licenciamento ambiental. Somente com obra estão sendo 18 meses", afirmou.

Até o dia 20 de julho, nenhuma obra complementar ocorrerá no píer A, onde serão operados os voos internacionais, disse Mota. Enquanto isso, a concessionária corre para concluir o restante das obras exigidas no contrato de concessão.

O edifício-garagem, com 4 mil vagas, está pronto, mas ainda não será usado porque falta concluir o acesso a ele, o que deverá ocorrer em uma semana, segundo a concessionária.

Para a conclusão, uma adutora terá que ser remanejada. Mesmo pronto em uma semana, ele não será disponibilizado para os usuários do aeroporto.

 "Estamos com operação no novo terminal somente para a Copa. Se abríssemos a garagem teríamos que manter um serviço de vans para levar as pessoas até o terminal antigo, o que tornaria o serviço moroso", informou.

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