quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Aeroporto de Brasília já é o 2º maior do país

28/01/2015 - Valor Econômico

No ano em que, pela primeira vez, o movimento nos aeroportos brasileiros rompeu a marca de 200 milhões de passageiros, o terminal de Brasília (DF) - que passou por uma operação tumultuada até o ano passado, graças às obras de expansão da concessionária - aproveitou boa parte da demanda. Com crescimento de 10% (para 18,1 milhões de passageiros), Brasília passou Congonhas (SP) e Galeão (RJ) e chegou ao posto de segundo maior do país.

Controlada pelo grupo brasileiro Engevix e pela argentina Corporación América, a concessionária do aeroporto de Brasília argumenta que o aumento na movimentação de passageiros só foi possível após o investimento de R$ 1,2 bilhão em reforma e ampliação.

Outra razão foi a redução do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível de aviação no Distrito Federal em 2013 - de 25% para 12%. Com isso, companhias aéreas passaram a incluir Brasília na rota dos voos - para que as aeronaves abasteçam os tanques pagando menos impostos do que em outras regiões. Em São Paulo, por exemplo, o imposto continua em 25%.

Somados, os aeroportos concedidos cresceram 7,2% e lideraram a expansão no país, embora os que estejam sob controle da Infraero também tenham registrado aumento (de 5,6%). O cenário de expansão em todo o setor levou o país a movimentar 210 milhões de passageiros em 2014 (contra 197 milhões em 2013). O levantamento foi feito pela equipe de economistas do Valor Data a partir da soma da movimentação da rede Infraero com os valores fornecidos pelas concessionárias privadas. O cálculo leva em conta números de embarque e desembarque.

Além de Brasília, outro destaque dentre os privados foi o aeroporto de Guarulhos, que manteve crescimento robusto em 2014. Foram 39,5 milhões de passageiros movimentados em 2014, ou 9,94% mais que um ano antes. Os números mantêm o aeroporto na liderança no país e também o transforma em um dos mais movimentados no Hemisfério Sul.

Segundo Carlos Fernando Pereira Sellos, diretor de gestão comercial da GRU Airport (da Invepar), os investimentos feitos recentemente atraíram novas rotas. Há mais voos principalmente do grupo Latam e da Gol, com foco nas rotas internacionais. "É conveniente para as duas partes. Nós temos um passageiro mais qualificado para transitar pelo aeroporto, que tem um gasto médio mais alto. E eles têm a contrapartida da infraestrutura do novo terminal", diz. "Ainda há espaço para crescer", afirma.

Já o aeroporto de Viracopos (em Campinas), concedido na mesma época, teve um ano menos confortável. As obras do empreendimento ainda não foram concluídas, o que tem impedido um aumento mais expressivo nos números de passageiros. Em 2014, o crescimento foi de 5,92%, para 9,84 milhões de pessoas transportadas.

Para 2015, a concessionária espera que a transferência das operações para o novo terminal, com capacidade para 25 milhões de passageiros ao ano, traga novas rotas. "Tivemos um grande salto em nossas operações para o exterior. Passamos de três frequências semanais para 38. Isso é muito significativo e representa uma mudança importante para Viracopos", afirmou o presidente da Aeroportos Brasil Viracopos, Luiz Alberto Küster. A expectativa dos controladores é que o aeroporto transporte 10,5 milhões de pessoas em 2015 (um crescimento de 7%), influenciado pela maior presença internacional.

Os outros dois aeroportos assumidos pela iniciativa privada no fim de 2014, Galeão (RJ) e Cofins (MG), ainda têm números mais tímidos de crescimento. Isso, no entanto, deve mudar. No caso do aeroporto do Rio, o crescimento deve ser impulsionado nos próximos anos pela economia da capital fluminense e pelos Jogos Olímpicos de 2016.

"O Galeão voltou a ter crescimento em 2014, depois de uma queda em 2013. Isso já é um sinal do ganho de confiança do nosso cliente, que está acreditando no aeroporto", diz Randall Aguero, diretor de desenvolvimento estratégico da concessionária RIOgaleão. Segundo ele, há negociações em curso com novas companhias aéreas. A alemã Condor, por exemplo, começa ainda neste ano a fazer a rota Rio-Frankfurt.

Para o sócio da área de governo e infraestrutura da KPMG, Mauricio Endo, os números do ano mostram que os aeroportos do país continuaram com forte atividade mesmo em um cenário de baixo crescimento da economia. E os privados acabam beneficiados por ganhos de eficiência. "Quem é usuário percebe que, nos privados, além dos investimentos em infraestrutura, alguns processos foram simplificados".

Mesmo com os novos concorrentes, os aeroportos da Infraero conseguiram registrar crescimento em 2014 (se retirados todos os dados dos já concedidos). As "joias da coroa" da estatal atualmente são Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). Apesar do interesse privado pelos dois aeroportos, o governo federal dá sinais que não vê sentido em concedê-los - por eles não terem espaço para grandes investimentos em ampliação. Mais abaixo na lista dos mais movimentados da estatal estão os terminais de Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).

Para Endo, da KPMG, os aeroportos continuarão sendo um bom negócio nos próximos anos por causa de fatores como o preço das passagens aéreas e do nível de renda da população. "O setor ainda vai ver muitos passageiros novos, de primeira viagem. Quem fazia viagens de 30 horas de ônibus, por exemplo, percebeu que pode ir de avião com preços até menores. Os aeroportos continuam muito ativos", diz.

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