quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Líder nos EUA, Embraer tenta emplacar novos jatos no Brasil

12/02/2015 - O Estado de S.Paulo

Empresa entregou 1º de 60 jatos E175 comprados pela American Airlines; modelo ainda é pouco vendido no Brasil

MARINA GAZZONI

sergio fujiki

EUA. Embraer vendeu 240 jatos E175 no país em dois anos


Depois de vender 240 jatos E175 nos Estados Unidos nos últimos dois anos, a Embraer está voltando seu esforço comercial para emplacar o modelo no Brasil. Neste momento, Gol, TAM e Azul negociam a compra de aviões da fabricante brasileira. Com capacidade para transportar entre 70 e 90 passageiros, o E175 é uma grande aposta da Embraer para o mercado de aviação regional, segmento que o governo pretende estimular.

A Embraer entregou ontem o primeirodeumtotalde60jatos E175 vendidos à American Airlines em dezembro de 2013, em um contrato avaliado em US$ 2,5 bilhões, considerando preço de tabela. Republic Airways, United Airlines e Skywest também encomendaram o modelo.

O mercado americano foi estimulado após uma mudança na regulação do setorem2012 que viabilizou o uso de aeronaves maiores para voos regionais – o limite de assentos saltou de 50 para76 na categoria. Após a mudança, uma enxurrada de pedidos foram feitos nesse segmento e a Embraer conseguiu mais de 70% desses contratos.

Segundo o presidente da Embraer Aviação Comercial, Paulo Cesar Silva, ainda há oportunidades nos Estados Unidos. "Existemmuitosaviões antigos em operação, há um crescimento natural do mercado e temos opções de compra que podemos converter em pedidos firmes", disse. A estimativa dele é que o mercado americano demandará mais 200 a 300 aviões na categoria em até três anos.

Brasil. Hoje, cerca de 500 modelos do E175 e E170 estão em operação no mundo, mas apenas cinco deles voam no Brasil. São aeronaves que eram da companhia aérea Trip e foram incorporados à frota da Azul após a fusão das duas empresas.

A Embraer estima que, nas atuais condições de mercado, há uma demanda para 50 aviões de cerca de 100 assentos no Brasil nos próximos anos. "Esse demanda pode ser estimulada com a reforma de aeroportos regionais e a implementação do plano de aviação regional do governo", disse Silva.

O plano de aviação regional, que prevê reforma de 270 aeroportos e subsídio a voos, foi aprovado pelo Congresso no fim de 2014. O governo federal ainda precisa definir a regulamentação do setor antes de liberar o subsídio.

As líderes de mercado Gol e TAM, que hoje não operam com aviões da Embraer, já confirmaram no fim do ano passado que estão avaliando a compra de aviões da empresa, dentro de um plano de expandir os voos para o interior do Brasil. "Existem conversas com as empresas para que eles comecem a operar com os aviões de primeira geração e depois recebam os jatos de segunda geração", disse o executivo da Embraer.

Gol e TAM informaram que avaliam a compra de modelos da família E2 (segunda geração de jatos da Embraer), que foram lançados em 2013 e serão entregues a partir de 2018. As entregasdomodeloE175começam dois anos depois.

A TAM também informou, em dezembro, que estuda soluções de curto prazo para incrementar a frota regional, como arrendamento de aeronaves. A companhia aérea disse que decidirá sua estratégia para aviação regional até março.

A Azul, que já nasceu com frota da Embraer, anunciou que faria novas encomendas assim que o plano de aviação regional do governo fosse aprovado. A empresa assinou uma carta de intenções no ano passado para comprar 30 jatos de segunda geração da Embraer. O contrato ainda não foi fechado e as duas empresas estão em negociação para a confirmação do pedido. O valor do negócio é estimado em US$ 3,1 bilhões, pelo preço de tabela das aeronaves.

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