quinta-feira, 14 de maio de 2015

Neeleman avalia fazer proposta pela compra da TAP

13/05/2015 - O Estado de S.Paulo

Empresário estuda se unir a fundos de private equity para participar da nova tentativa de privatização da companhia aérea portuguesa

Marina Gazzoni

A companhia aérea portuguesa TAP receberá até sexta-feira as propostas para aquisição da empresa em uma nova tentativa de privatização. O governo português espera que o empresário David Neeleman, controlador da Azul, e os irmãos Gérman e José Efromovich, da Avianca, apresentem propostas para comprar a companhia, segundo fontes de mercado.

Procurado pelo Estado, Neeleman confirmou que está avaliando o negócio, mas não garantiu se apresentará uma proposta. "Estamos avaliando. É interessante porque eles têm uma operação forte no Brasil e teria uma boa conectividade com a Azul. Mas, por outro lado, é um negócio complicado", disse.

Se optar por disputar a empresa, Neeleman deverá se unir a um grupo de fundos de private equity, em uma operação semelhante a que fez para a criação da Azul, que também tem como sócios os fundos Bozano, Weston Presidio, Texas Pacific Group (TPG) e Gávea. A proposta de compra, no entanto,será feita por uma nova empresa, e não pela Azul.

O grupo Synergy, controlador da Avianca, já tentou comprar a TAP no fim de 2012. O Synergy foi o único a seguir na fase final do processo de privatização à época, mas o governo português recusou a oferta. Na semana passada, em Lisboa, Gérman Efromovich afirmou que ainda tem interesse na companhia.

Além deles, um grupo formado pelo empresário português Miguel Pais do Amaral e o americano Frank Lorenzo, ex-presidente do conselho da Continental Airlines, também reuniu informações sobre o negócio.

Condições. O governo português pretende vender 61% da TAP a um ou mais investidores, que terão preferência de compra em uma nova rodada de capitalização da empresa no futuro. A intenção é escolher um investidor até o fim de junho.

A estruturação das propostas deve ser feita para atender ao limite de capital estrangeiro das empresas aéreas europeias, de 49%. Os irmãos Efromovich devem usar sua cidadania polonesa para seguir com a proposta. Já o grupo de David Neeleman poderá utilizar a cidadania italiana de um dos sócios dos fundos parceiros, segundo fontes de mercado.

Privatização. O governo português tenta há mais de dez anos privatizar sua companhia aérea estatal. A empresa acumula dívidas superiores a € 1 bilhão. O negócio precisa de capital e depende da venda para obter dinheiro novo.

Nos últimos quatro anos, representantes do governo português têm feito reuniões com aéreas brasileiras e membros do governo para pedir a participação de investidores nacionais na privatização da TAP. Eles tentam convencer as empresas brasileiras de que comprar a companhia aérea portuguesa é um caminho para dominar a rota entre Brasil e Europa.

A TAP é forte nesse mercado, atendendo dez destinos no Brasil, a maior capilaridade entre empresas aéreas estrangeiras no País. No ano passado, as rotas entre Brasil e Europa responderam por 39% do tráfego de passageiros da empresa.

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