segunda-feira, 25 de maio de 2015

PF realiza busca e apreensão na casa do ex-dono da Vasp

22/05/2015 - O Estado de S.Paulo

Wagner Canhedo Filho seria o chefe de um grupo de empresários que teriam constituído empresas de fachada; objetivo era movimentar livremente recursos da ordem de R$ 875 milhões

ERICH DECAT

(Texto atualizado às 16h20, para correção de informações)

BRASÍLIA – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira a operação Patriota com o objetivo de apurar um esquema de fraude à execução fiscal, lavagem de capitais, formação de quadrilha e falsidade ideológica realizada por gestores de um grupo empresarial comandado por Wagner Canhedo Filho, ex-dono da Vasp.

Segundo o Estado apurou, agente federais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Canhedo Filho, em Brasília. No local, foram encontradas armamento sem documentação, o que poderá levar à prisão, em flagrante, do empresário por porte ilegal de armas. Ao todo, foram cumpridos 29 mandados judiciais, sendo 18 de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva.

As investigações, iniciadas em meados de 2014, revelam que os gestores do grupo empresarial comando por Canhedo Filho constituíam empresas de fachada, em nome de "testas de ferro", o que possibilitava movimentar livremente os recursos que deveriam saldar suas dívidas, dentre as quais as tributárias, que somam aproximadamente R$ 875 milhões.

Após escândalos, Vasp decretou falência em 2008

ESTADÂO ACERVO

O empresário Wagner Canhedo foi o protagonista da nebulosa venda Vasp em 1990. O consórcio Voe-Canhedo foi o único participante do leilão realizado em 4 de setembro de 1990. O grupo Aeropart, formado por funcionários da empresa e Wagner Canhedo, adquiriu 60% das ações por US$ 43 milhões, equivalente a 10% do valor da empresa.

A polêmica da compra começou já no mês de setembro, quando o empresário conseguiu vantagens exclusivas para rolar a dívida da Vasp. O Banco do Brasil concedeu três empréstimos a diferentes empresas de Canhedo totalizando mais de Cr$ 1 bilhão.Em seguida, a Vasp já privatizada, conseguiu refinanciar a dívida de US$ 276 milhões em condições de empresas estatais. Com os benefícios da dívida rolada e com o dinheiro dos empréstimos, Canhedo colocaria na sua nova empresa, Cr$ 2,9 bilhões.

Em maio 1992, foi instalada a CPI da Vasp, e se revelou os bastidores e o jogo político que deu suporte a Canhedo para comprar a empresa. A comissão provou que as empresas de Canhedo receberam dinheiro no período do leilão. Um dos depósitos veio do amigo PC Farias, o ex-tesoureiro de Fernando Collor. Ele fizera um depósito Cr$ 250 milhões, de através de sua empresa da EPC, para outra de Canhedo.

Durante a CPI também foi descoberto que o governador de São Paulo, Orestes Quércia, aceitou os bens de Canhedo superavaliados para serem usados como contrapartida da compra. O laudo de 600 páginas sobre os bens do empresário foi aprovado em apenas um dia. A Vasp decretou falência em 2008.

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